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LPA e O Arauto Nós, beatlemaníacos do Brasil, temos a honra de nos informar sobre a Beatlemania no nosso país-irmão, Portugal, através de um dos mais bem-informados jornalistas musicais daquele país, Luis Pinheiro de Almeida (também conhecido como LPA). Através dele nós já tivemos uma entrevista inédita na Internet com o Paul McCartney, com o Noel Gallagher (Oasis), a cobertura do show de New York (Driving Tour, do Paul) - sortudo o rapaz -, entre outras informações preciosíssimas, todas elas reunidas na sua coluna Beatles em Portugal do nosso portal. Mas, como bem diz nosso competente jornalista, "ter sorte dá muito trabalho". No caso do nosso amigo, é resultado de muitos anos de trabalho dedicado e esforçado. Uma prova é esse jornal dos tempos de escola, "O Arauto", em que LPA solta o artigo "Os Beatles vistos por outro prisma". Será que nesta época ele já imaginava que um dia iria entrevistar o Paul pessoalmente? (Leia abaixo o texto "Os Beatles vistos por outro prisma" na íntegra) ![]() [LPA:] Vou transcrever o texto publicado na primeira página do jornal "O Arauto", jornal do Colégio Clenardo, em Lisboa, de Março-Abril de 1966, exactamente como foi publicado com os erros e tudo. Eu tinha 18 anos! Por favor, tenham isso em consideração... OS BEATLES VISTOS POR OUTRO PRISMA Por Luís P. De Almeida Este meu trabalho não pretende ser mais umas quantas linhas debruçadas sobre um dos mais discutidos conjuntos da actualidade. Muito se tem escrito (e falado), mas não quero ser mais um que "gosta" de escrever sobre os Beatles. Os outros (talvez com fins meramente comerciais) só escrevem sobre os Beatles-guedelhudos, os Beatles-hipócritas, os Beatles-símbolos da decadência da juventude. Mas não é sobre isso que me vou debruçar. Em duas partes dividirei estas minhas considerações: a primeira recairá sobre os Beatles-humanos, a segunda sobre os "tais" Beatles-guedelhudos, etc. Pedi ao tempo que voltasse para trás, à adolescência de cada um dos Beatles. Quando John Lennon apenas contava 14 anos viu morrer sua mãe, vítima dum acidente de viação, e aos 16, o seu oai abandonou-o. Tudo isto pode influir, e com certeza que influiu, no espírito deste jovem que assim se viu obrigado a viver 10 anos com a sua tia Mimi, de quem, aliás, não gostava verdadeiramente. Podia aqui ter nascido um criminoso, um revoltado; mas não, nasceu um Beatle que, aliás, para muita gente é símbolo de criminoso, de revoltado. Paul McCartney, quando ainda estava nos seus "teens", ficou sem mãe; o pai voltou a casar, e não será necessário focar aqui as proverbiais aversões entre madrastas e enteados. Portanto, mais uma adolescência infeliz, perigosa, de futuro sombria. Felizmente que ocorrências como estas não as apontamos para Ringo Starr e George Harrison. Em 1960, ainda os Beatles se denominavam The Silver Beatles, fazia parte do grupo Stee Stucliffe, um dos amigos mais íntimos de John, um quase-irmão. Numa das viagens dos Silver Beatles à Alemanha, Stee enamorou-se de uma rapariga alemã, Astrid Kierschnen... e separou-se dos seus amigos. Aquando da terceira viagem a Hamburgo, Astrid, de lágrimas nos olhos, esperava-os no aeroporto. A notícia caiu como uma bomba. John não tinha irmãos nem irmãs; a sua mãe tinha morrido, o pai tinha-o abandonado; por isso a notícia da morte de Stee foi um terrível golpe para John. Pois ainda hoje, e já decorridos 6 anos, os Beatles, religiosamente, vão depôr flores no túmulo de Stee. E este acto de verdadeira amizade é feita sem intuitos publicitários. É apenas uma homenagem que fazem não como ídolos, mas sim como HOMENS. Além disto, no aniversárioda sua morte, pedem às estações emissoras inglesas que não transmitam interpretações por eles realizadas. Não faço comentários, que julgo desnecessários. Os cabelos dos Beatles são compridos, admito-o. Mas serão assim tanto como o apregoam? Não vou compará-los aos do Mozart, aos de Napoleão, porque, além do mais, são de épocas diferentes. Mas comparo-os aos jovens de agora, aos artigos do tempo dos Beatles. Não terão os Rolling Stones, os PJ Proby, Burds, Pretty Things cabelos mais compridos e, vamos lá, sem exgaero, mais nojentos? Podem atirar o "slogan" já bastante estafado: "é moda" e "foram os beatles que a lançaram". Então não há personalidade? Usa-se determinada coisa, só porque é moda? Não está certo! Os Beatles causadores da decadência da juventude... Porquê? Por causarem gritinhos histéricos, desmaios e toda uma série de burburinho nos espectadores e nas casas de espectáculo? Mas isso já acontecia nos anos 40 ou mesmo antes, aquando dos tempos gloriosos do jazz. Os jornais não poderão ter a sua parte na culpa? Imagine-se que até os jornais portugueses apregoam com título sensacionais como "novo recorde" dos Beatles: 131 raparigas hospitalizadas ou "mais de 100 amulâncias utilizadas após um espectáculo dos Beatles", os devaneios de crianças sem tino. Quais os motivos destes devaneios? Uma maneira nova de exprimir sentimentos, ou incitação dos próprios Beatles? Parece-me mais lógica a primeira hipótese, pois os Famosos Quatro nada fazem no palco de molde a incutir tantos distúrbios nos espectadores, excepto bater o pé ao compasso do ritmo, como toda a gente. Sim, então será uma nova maneira de exprimir sentimentos, bastante exagerada, também concordo, mas... |