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Good Evening New York City



Por Jair Cursiol Filho

Chorou, simplesmente chorou. Sim, este marmanjo de 1,84m e 86kg chorou com Drive my Car (e com várias outras) em Good Evening New York City. Nunca antes fiquei tão feliz com um erro de alguém! Explico: iria comprar a Standard Edition, com dois CDs e um DVD contendo o show, mas meu vizinho acabou se enganando e me trouxe dos EUA a Deluxe Edition, com dois CDs, dois DVDs e um livro capa-dura como encarte. Ignorando esse detalhe e partindo para o show como um todo: são 35 músicas em 33 faixas espalhadas em dois CDs e o mesmo em um DVD (DVD bonus comentarei mais para frente).

Os anos 2000 (e talvez até um pouco antes disso, provavelmente os anos 1990) trouxeram mudanças para Paul McCartney: ele deixou de ser um artista que estava sempre nas rádios, como nas 3 primeiras décadas de carreira e passou a ser visto cada dia mais como uma lenda viva do rock e da música como um todo. Talvez por ter aceitado este fato, das músicas deste show, vinte e nove são das décadas de 60 e 70 - vinte e uma Beatle-songs, seis dos wings e uma da carreira solo de John Lennon. Após dois lançamentos em vídeo em que não se havia a experiência do show e si, mas "showcumentários", McCartney aproveitou os históricos três shows de abertura do Citi Field para gravar este que é o primeiro lançamento de Paul onde experimentamos um show de maneira inteira e na ordem correta.

Três maravilhosas noites com 109.397 ingressos vendidos para abrir o Citi Field, estádio que substituiu o lendário Shea Stadium em Nova York. Paul desta vez lançou-se ainda como diretor, ficando diretamente responsável pelo resultado final. E olha, o cara teve uma sacada fantástica: soltou trinta câmeras de mão para fãs no estádio gravarem o que quisessem. Surpreendentemente para ele, todas as câmeras foram devolvidas nas três noites. E acredite esta filmagens, facilmente identificadas pela qualidade da imagem, fazem uma grande diferença no show como um todo. O que se vê é Paul com o público na mão e mais ainda, aquele senhor, do auge de seus 67 anos, claramente se divertindo e com uma banda que se diverte junto. Rusty Anderson (guitarra), Brian Ray (guitarra, baixo e violão), Abe Laboriel Jr. (bateria) e o diretor musical Paul Wickens (teclados) se divertem junto com Paul e dão tudo de si nas músicas. Rusty pula e se joga no chão, Wickens imita um robô dançante, Ray se empolga mais com um violão de doze cordas do que muitos guitarristas se empolgam durante um show inteiro e Abe em particular parece ser quem mais se diverte, brincando durante o show inteiro.


O show é claramente dividido em pós-Beatles na primeira metade (embora cinco Beatle-songs apareçam nesta parte) e Beatles na segunda metade, onde temos a bonita inclusão de Something, de autoria de George Harrison, em versão melhor que a do Concert for George e a música Give Peace a Chance de John Lennon, que ironicamente Paul recusou como single dos Beatles em 1969. O mundo realmente dá voltas! E, aliás, este DVD é cheio delas. O rockeiro americano Billy Joel fechou o Shea em 2008 com participação de McCartney em I Saw Her Standing There. Neste DVD Joel devolve a participação, num ótimo dueto. E imagens da histórica apresentação de 1965 iniciam o show, além de serem uma constante em I'm Down, única música do tracklist dos shows de 2009 presente também em 1965. Aliás, aqui veio outra grande sacada do diretor Paul McCartney: o áudio também mistura as duas apresentações! Assim, quando você vê, Paul, John, George e Ringo, são os 4 que você escuta, e quando vc vê Paul e banda, são os 5 que você escuta. Obviamente a captação de som de 1965 deixa claro os cortes. Mas a apresentação de Paul em 2009 pode ser conferida na íntegra no CD de áudio (não há Beatles neles) e como parte do DVD bonus da edição Deluxe.

Já foi levantado aqui se Paul terá algum ao vivo realmente marcante algum dia, e não apenas "eba, mais um ao vivo do Paul". A minha resposta é: Good Evening New York City! Talvez não será histórico como um Live at Leeds, mas se alguém um dia perguntar como é um show de McCartney, esta é a resposta!

Falando em "o mundo dá voltas", o DVD Bonus contém ainda uma apresentação de sete músicas (das quais seis estão no show do Citi Field, exceção para Coming Up, do McCartney II) na marquise do Ed Sullivan Theatre para várias pessoas na rua e nos prédios em volta e o documentário Good Evening People.


Falando em "o mundo dá voltas", o DVD Bonus contém ainda uma apresentação de sete músicas (das quais seis estão no show do Citi Field, exceção para Coming Up, do McCartney II) na marquise do Ed Sullivan Theatre para várias pessoas na rua e nos prédios em volta e o mini-documentário Good Evening People. Este último tem cerca de 8 minutos e só é um "documentário" por falta de classificação melhor, sendo na verdade é uma montagem com imagens gravadas pelos fãs nos três dias. Curioso, mas se assistir mais do que três vezes, você é meu herói.

Já o encarte é muito bonito, com muitas fotos (incluindo algumas do show de 1965), papel de excelente qualidade, com capa-dura, em formato de livro e um bom texto por Michael Azerrad. Como brinde, um card típico das temporadas de baseball americanas com a imagem de Paul e alguns dados do show. Nos discos de áudio, Paul retirou toda e qualquer fala entre as músicas, diminuindo meia hora do show. Okay Paul, concordo que meia hora a mais quando se está só ouvindo pode atrapalhar, mas algumas introduções poderiam ser mantidas, como a de My Love, Here Today e ao menos o nome do Billy Joel antes de I Saw Her Standing There, né?

Por fim, para Beatlemaníacos que não acompanharam cada lançamento pós-1970, o DVD como um todo é um belo presente. para os fãs mais assíduos, as jóias aqui são as duas músicas do Memory Allmost Full, as duas do Electric Arguments, A Day in the Life com Paul fazendo tanto sua parte como a de John, Give Peace a Chance, o dueto com Billy Joel e I'm Down. E talvez, só talvez, Paul saiba que daqui pra frente sua voz teóricamente tende a enfraquecer e sua energia também e queira ter deixado aos fãs uma espécie de canto dos cisnes, como foi Abbey Road.