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O Filme que Consolidou a Beatlemania
O retorno do segundo filme dos Beatles em um DVD 'definitivo' era esperado há muito tempo. As versões anteriores nasceram condenadas ao relançamento futuro, tamanha era a precariedade. Não há dúvida que Help carecia de uma reedição restaurada e com áudio remasterizado. E isso foi feito. Não se imaginava, entretanto, que o capricho levaria ao mercado duas versões completamente distintas do mesmo produto final. Durante os últimos meses do ano passado (2007) os participantes da Lista Beatles Brasil se encarregaram de rotular as novas edições do segundo filme dos Fab Four como 'Help de Rico' e 'Help de Pobre'. E é exatamente assim que elas podem ser resumidas, a grosso modo.
A versão mais simples contém dois DVDs, da mesma forma que a luxuosa. O formato 'digipack' é elegante, e os discos são afixados em duas bandejas de acrílico transparente. A embalagem cabe em qualquer estante. A limitada edição luxuosa, todavia, impressiona pelo esmero e pelo conteúdo. Uma grande 'luva' com o dobro do tamanho da capa do 'Help de Pobre' abriga um cartucho. Ao abri-lo encontramos um livro de capa dura com design dos anos 60. Na face interna da capa, duas frágeis bolinhas de borracha macia que funcionam como 'garras' para segurar os dois DVDs. O livro contém um belo prefácio escrito por Richard Lester, seguido de primoroso artigo de Martin Scorcese, o cineasta que melhor soube até hoje retratar o rock and roll em imagens na telona. Ele se desmancha em elogios aos filmes dos Beatles dirigidos por Dick Lester, começando com A Hard Days Night. O luxuoso livro também contém uma detalhada ficha técnica. Mas não fica só nisso: na face interna da contracapa, um apêndice trás um pacote de fotografias em cores - réplicas perfeitas do material de divulgação do filme. É um bônus que encanta pela beleza e remete os fãs mais antigos a uma viagem nostálgica. Nos anos sessenta e setenta, pessoas da minha geração e mais velhas, iam aos cinemas para ver Help e encontravam nas vitrines, cartazes, e essas fotos clicadas nos sets de filmagem. Quem tinha quinze ou vinte anos naquela época tentava de tudo para obter as fotografias expostas na entrada das casas de exibição. Consegui-las era muito difícil. As fotos viajavam com os rolos do filme e eram afixadas às portas dos cinemas com a utilização de tachas de metal. A missão das fotografias era óbvia: seduzir, atrair o público para as salas de cinema. Foi assim que 'vi' Help pela primeira vez - menino - observando as vitrines do hoje finado Cine Capitólio, em Bagé, interior do meu Rio Grande do Sul. Ao final do período de exibição esse material acabava se extraviando, rasgando, ou simplesmente sumia. Certa vez em Porto Alegre visitei um cara que possuía algumas dessas fotos (bem surradas e furadas pelas tachas) e cartazes originais do "Socorro" (Help) e do "Deixa Estar" (Let it Be). Ele se gabava de ter surrupiado o material, que estava esquecido nos porões de um famoso cinema da capital gaúcha. Voltando ao "Help de Rico", quem adquirir a luxuosa edição limitada, portanto, realizará o sonho de possuir as lindas fotos promocionais em cores - feitas para divulgar Help mundo afora. E o luxuosíssimo 'package' vai mais além. O primeiro livro também possui uma 'luva' debaixo de sua capa, onde é possível encontrar a reprodução de um dos muitos pôsteres de cinema especialmente desenhados para a divulgação do filme nos anos 60.
Não acabou. O outro item de colecionador deste belo pacote é uma brochura batizada, BEATLES 2 - o primeiro título de trabalho de Help. O material é bem volumoso e trás simplesmente todo o roteiro original página por página - uma perfeita reprodução, idêntica a utilizada por Richard Lester para rodar as cenas há 43 anos. Trata-se de um produto cuja função é fazer o fã sentir-se mais próximo dos bastidores do segundo filme dos Fab Four. As anotações feitas a caneta por Dick Lester são de tal forma nítidas que se tem a impressão que ele escreveu diretamente na cópia que você comprou, por cima dos textos datilografados.
Esse "Help de Rico" além de limitado é caro. Seu preço médio varia de 400 a 500 reais. Mas é item absolutamente indispensável para colecionadores, e certamente para eles foi pensado. Os meramente nostálgicos se contentarão com o "Help de Pobre" e ele está vendendo muito bem. Ao custo variável de 139 a 149 reais, foi incluído na cesta natalina de muitos brasileiros. A edição luxuosa também foi posta à venda em nosso país, através de um lote importado pela distribuidora, o que sem dúvida contribuiu para baratear - pouco - o custo final. Mas vale a pena. Apesar da indiscutível qualidade há quem reclame da versão limitada e definitiva do Help em DVD. Alguns acham que vai dar trabalho guarda-la. Certamente não caberá numa estante convencional de DVDs e CDs. É preciso cuidado com as 'garrinhas' de borracha para que não se soltem da face interna da capa principal do primeiro livro, deixando soltos os discos dentro do pacote. Outros apontam que 'dá trabalho' desmontar o 'package' para ter acesso aos DVDs. E é preciso recomendar cuidado com o delicado papel encerado em tom azul piscina, com dezenas de impressos da logomarca do filme, que envolve os dois livros, para não rasga-lo. Mas não tenham dúvidas: este item precioso veio para ser visto, lido, apreciado e muito bem guardado. Ainda sobre a presente edição limitada, vale uma comparação: abaixo dos livros de George Harrison, Live in Japan e Songs by George Harrison (ambos da Genesis Publications, autografados e publicados em versões limitadas e numeradas) arrisco dizer que este Help é o produto mais luxuoso lançado pelos Beatles até agora. Manuseá-lo é animador não somente pelo item em si. Num exercício de devaneio, ficamos a imaginar como virá a edição de luxo do filme Let it Be quando um dia for relançado digitalmente. Se seguirem o padrão do Help de Luxo, estamos feitos. 1964/1965
No dia 24 de fevereiro de 1965 começou o trabalho de onze semanas de filmagens da segunda produção cinematográfica envolvendo os Beatles. A idéia da realização de um segundo filme com os Fab Four, nasceu um pouco antes. 1964 fora marcado pelo êxito de A Hard Days Night. O primeiro título agradara o público e a critica e continuava a ser exibido mundo afora. O produtor Walter Shenson, Brian Epstein, o diretor Richard Lester, e seu assistente Joe McGrath trabalhavam desde meados de outubro as idéias para o novo filme, com um importante adicional: animada com o sucesso de bilheteria, a United Artists estava interessada em gastar mais dinheiro na produção. Dessa vez os Beatles seriam vistos em 'technicolor', ou seja, em cores vivas ocupando todo o espaço da tela dos cinemas.
Dick Lester e Joe McGrath tinham em mãos o roteiro de uma velha idéia que parecia boa. A sinopse girava em torno de Ringo Starr. O baterista ia ao médico e era informado de que estava com uma doença terminal. Deprimido, paga 500 libras a um matador de aluguel para 'abreviar' seu sofrimento. Sem coragem para encarar a morte, Ringo combina que o homem deveria matá-lo de surpresa, quando não estivesse esperando. No dia seguinte o beatle recebe um telefonema do médico. Vai ao encontro dele e é comunicado de um lamentável engano. O exame de raios-X que apontava que seria um doente terminal pertence a outro paciente. O baterista estava, na realidade, vendendo saúde. Ao invés de comemorar, se estabelece o pânico. Era preciso parar o matador de aluguel, mas como encontra-lo antes que executasse o que estava acertado? Ringo conta seu drama aos outros Beatles e começa uma sucessão de aventuras e trapalhadas - entremeadas por um punhado de novas canções - numa busca frenética de livrá-lo do inusitado apuro em que estava metido. Joe McGrath ponderou com Dick Lester que a idéia era de fato muito boa, mas tinha cara e jeito de ter sido contada antes. Bastou uma breve pesquisa para se saber que em 1963 o famoso ator francês Jean Paul Belmondo estrelara um filme chamado "Os Apuros de um Chinês na China", com temática idêntica. Resultado: o primeiro esboço de roteiro para o que viria a ser Help seguiu direto para a lata do lixo. Mas havia um senso comum entre todos: o próximo filme não deveria ser uma continuação de A Hard Days Night. Seria necessário e de bom tom, que fosse diferente. Com carta branca da United Artists e de Brian Epstein, Dick Lester chamou o roteirista Mark Behm, que vivia em Paris e tinha escrito a história do aclamado filme 'Charada', com Audrey Hepburn. Depois de uns contatos telefônicos Behm desembarcou em Londres com algumas anotações vagas cujo fio condutor era o seguinte: Ringo Starr passava a ser perseguido e atacado por diversas pessoas, sem saber porque. Lester gostou, mas achou que faltava um pouco mais de 'molho inglês' na idéia. Entenda-se por 'molho inglês' o fato que Richard Lester pretendia trazer para o roteiro o conhecido humor britânico, e precisava de alguém familiarizado com o Reino Unido para fazê-lo. Acionou Charles Woods, roteirista do filme The Knack, produção imediatamente posterior a A Hard Days Night, dirigida pelo próprio Lester. Woods retrabalhou a idéia inicial de Mark Behm e introduziu elementos como as cenas na Scotland Yard, no Palácio de Buckingham (na realidade uma locação com arquitetura semelhante) e referências a Rainha, James Bond e ao Exército de Sua Majestade, autêntico orgulho nacional. Woods levou dez dias para reescrever a idéia original de Behm. Quando entregou os originais, o segundo filme dos Beatles nascia de fato. Nas pitadas de humor tipicamente inglês recolhidos por Charles Woods, o roteiro acerta em cheio ao investir no sarcasmo. Quando o diretor da Scotland Yard afirma: "ah então vocês são os famosos Beatles", em tom de desdém, leva o troco de John Lennon: "ah e vocês são a famosa Scotland Yard, que não conseguiu resolver o assalto ao trem pagador?" Na época, entre as críticas que os ingleses faziam à sua polícia estava o famoso assalto ao Trem Pagador, episódio no qual os bandidos fugiram levando muito dinheiro. Entre os ladrões, Ronald Biggs, que viveu até o fim de seus dias no Brasil, com parte do dinheiro surrupiado. A fama mundial que os Beatles alcançaram também foi alvo de preocupações para a composição do roteiro. Em A Hard Days Night, a banda começava sua trajetória. E estava no auge da 'beatlemania' no começo da produção do segundo filme. Veio daí a idéia de realizar filmagens em locações contrastantes como as Bahamas e Áustria. As gravações fora do Reino Unido iniciaram no dia 22 de fevereiro de 1965 quando os Beatles chegaram a Nassau, nas Bahamas, com uma respeitável estrutura para a época, incluindo técnicos, câmeras, produtores, maquiadores, atores e equipamentos. Cenas maravilhosas foram capturadas num ambiente de verão eterno e sol escaldante. De 23 de Fevereiro a 9 de Março A primeira cena gravada para o filme não envolveu os demais Beatles. Mostrava apenas Ringo Starr ouvindo o ruído que vinha de uma casca de ostra nas docas da Mackey Street nas Bahamas. As imagens ficaram de fora da edição final. Logo depois, com a participação de John, Paul e George, foram gravadas as cenas da piscina, num luxuoso hotel. No dia seguinte os Beatles foram para o set de filmagem e lá permaneceram, das oito e meia da manhã às cinco da tarde, filmando quase sem parar. Na ocasião gravaram as cenas onde aparecem andando de bicicleta, numa locação próxima do aeroporto das Bahamas, berrando o nome de Ringo.
No dia 26 de fevereiro Ringo Starr teve muita ocupação para gravar as imagens em que é preso num Iate e de lá escapa com a ajuda de Ahme. Os outros Beatles gravaram novas cenas nas quais procuram ou gritam pelo baterista. No dia seguinte, gravação de uma cena clássica, o promo de "Another Girl".
Nos dias sete e oito de março, problemas. Diversas cenas foram feitas num local que parecia com um templo. Quando os Beatles chegaram para trabalhar constataram que lá funcionava uma clínica para crianças com problemas mentais e um asilo de velhos doentes. Esse fato causou desconforto geral, sobretudo em John, Paul, George e Ringo, mas não havia o que fazer. As cenas acabaram sendo feitas por lá mesmo e aparecem no filme. À noite os Beatles jantaram com o Ministro das Finanças das Bahamas. Durante a conversa, John Lennon criticou as condições precárias do hospital, criando certo constrangimento a mesa. De 14 a 20 de Março No dia 13 de março de 1965 toda a equipe foi deslocada para a Áustria, hospedando-se na belíssima estação de esqui de Obertauern. Enfrentou temperatura de trinta graus abaixo de zero. Todo o vestuário que os Beatles usaram nas cenas capturadas na neve foi especialmente produzido para o filme. O visual virou moda nos países escandinavos e em outros acostumados às nevascas, tão logo John, Paul, George & Ringo foram vistos em ação nas telas dos cinemas. No primeiro dia de gravações, 14 de março, os Beatles foram filmados em um tobogã de aluguel instalado em frente ao luxuoso Hotel Edelweiss. Várias horas de imagens foram capturadas e jamais aproveitadas no filme. As seqüências em que eles aparecem no trenó foram quase integralmente feitas com dublês. Os dublês, por sinal, trabalharam muito nas cenas em que os Fabs aparecem esquiando nas montanhas de gelo. No dia 17 de março, Richard Lester comunicou a todos que o filme já tinha um título: "Eight Arms to Hold You". Este nome perduraria por um tempo, até mudar definitivamente para Help. No dia 20 de março, data final dos trabalhos nos Alpes austríacos foi completada a filmagem do 'promo' de Ticket to Ride, uma das cenas clássicas da película, envolvendo os Beatles e seus dublês. No dia seguinte, enquanto os Fab Four retornavam a Inglaterra, parte da equipe de filmagem ficou mais um dia na Áustria. Gravaram cenas em um túnel e numa estação de rádio, onde os dublês de John, Paul, George e Ringo foram 'capturados' em imagens difusas - de costas e à distância - como se fossem os próprios Beatles concedendo uma entrevista. A idéia aqui foi inserir no filme um flagrante da rotina da banda, entretanto como não era esse o propósito da nova aventura cinematográfica, as cenas foram descartadas porque pareciam muito com a produção anterior, A Hard Days Night. Resultado: esse material também ficou fora da edição final e jamais será visto. De 05 de Abril a 11 de Maio
Do dia cinco ao dia nove de abril de 1965, Dick Lester dirigiu os Beatles nas cenas do Restaurante 'Rajahama' onde novamente eles são atacados pelos indianos. Toda a ambientação foi montada no interior dos estúdios Twickenham. No mesmo período foram gravadas ações que não seriam utilizadas no filme. A cena do banheiro em que o secador de mão mostra potência excessiva ao ponto de arrancar as roupas, torneiras, pias, etc, foi tentada inicialmente só com Ringo. A edição que entrou no filme como se sabe inclui os quatro no banheiro. As cenas no pub, na qual Ringo fica exposto a um tigre, também foram filmadas na ocasião.
A curiosa tomada em que Ringo Starr se defronta com o tigre envolveu esforços da produção para 'contratar' o bicho. O felino já era, por assim dizer, 'famoso' de outras produções cinematográficas. Chamava-se 'Sheba', e fazia parte do Zoológico Berlim, sediado em Londres. A idéia de acalmar a 'besta' ao som de Ode to Joy, da Nona Sinfonia de Beethoven, foi inspirada em seriados de aventura que passavam na TV, e que os Fabs adoravam. Quanto a Ringo Starr, de fato chegou bem perto do tigre, mas a uma distância segura. Uma enorme e grossa parede de vidro separou o beatle da fera. Durante as filmagens, a equipe de segurança exigiu que um domador acompanhasse a gravação de arma em punho - um rifle utilizado em safáris. A carabina carregada com cápsulas de tranqüilizantes, seria acionada em caso de perigo. Não chegou a ser necessário utilizá-la. 'Relativity Cadenza'. A engenhoca do Professor Foot, papel interpretado por Victor Spinetti, é acionada em um corredor do 'Palácio de Buckingham' e quase imobiliza os Beatles, que só conseguem se movimentar em câmera lenta. A gravação ocupou várias horas do dia 12 de abril, com toda a ambientação montada no interior dos estúdios. No dia 13 de abril, Richard Lester disse a Rádio BBC que o novo filme dos Fab Four não tinha um título definido. "Nós o chamamos Beatles 2, mas Ringo sugeriu 'Eight Arms to Hold You', e eu pessoalmente acho um excelente nome". Enquanto ele declarava isso, nos bastidores o movimento era outro. Teria partido do próprio Lester a idéia de que o filme deveria se chamar, Help. John Lennon & Paul McCartney teriam gostado da idéia, até porque escrever uma canção baseada na frase, Eight Arms to Hold You, seria bem mais difícil. Naquela mesma noite os Beatles ocuparam o estúdio dois de Abbey Road. Entraram às 7 da noite. Quando saíram, as onze e quinze tinham aprontado doze takes, finalizando Help, a grande faixa-título do novo álbum e do filme. No dia 14 de abril os Beatles gravam uma cena fora dos estúdios, chegando a suas casas futuristas. A gravação foi feita na Avenida Ailsa, nas proximidades de Twickenham. O ambiente interno das quatro residências foi montado no estúdio. Ringo é filmado 'ordenhando' uma vaca dentro da casa futurista. A cena foi descartada por não combinar com o ambiente high tech. Entre os dias 20 e 22 de abril novas cenas são filmadas. A seqüência na qual Ringo põe uma carta numa caixa de Correio e por pouco não tem o dedo decepado, é uma delas. Na mesma ocasião foi registrada a ação com o agente da Scotland Yard, a polícia britânica. No dia 22 é montado em Twickenham o cenário no qual é gravada a seqüência de abertura do filme. Os Beatles aparecem num telão fazendo mímica para Help enquanto os indianos jogam dardos na imagem. No dia 23 de julho esse 'promo' em versão limpa - sem a montagem editada para o filme - foi distribuído para canais de TV da Inglaterra e dos EUA, com o objetivo de divulgar a nova produção e o próximo álbum. Na noite do dia 22 de abril os Beatles filmaram uma longa cena com a então jovem (e bela) atriz Wendy Richards, num local chamado, "Sam Ahab School of Transcendental Elocution". Aluna da instituição, Lady McBeth (Wendy) apresenta a John, Paul, George e Ringo uma canção própria para a meditação. Ironicamente George Harrison demonstra detestar a música, e 'tampa' os ouvidos com bloqueadores. Enquanto os Beatles relaxam, Clang e seus homens estão à espreita, escondidos em uma enorme lareira. A maioria entra numa espécie de 'transe' ao ouvir o 'mantra' cantado por Lady McBeth. Todos parecem hipnotizados quando Clang invade o local e tenta, com um machado, decepar a mão de Ringo, acertando um espelho próximo ao baterista. George, por não estar em transe, reage e salva os companheiros, retirando-os do local. A confusão se estabelece, e os seguidores de Clang fogem. A cena termina com John arrancando o machado do espelho e entregando a peça para Lady McBeth, ao tempo em que diz: "isto é um machado que você vê antes de se enxergar?" A gravação deu muito trabalho e gerou certa tensão entre a banda e o roteirista. Na mesa de edição o corte final resultou em dez minutos de filme. O trabalho seria completado no dia seguinte. No dia 24 de abril foram gravadas as cenas onde os Beatles se jogam pelas janelas envidraçadas do restaurante indiano. Obviamente nenhum dos quatro participa, mas seus dublês. George e Ringo são filmados numa rua próxima aos estúdios Twickenham falando em telefones públicos, reclamando mais segurança. O material não seria utilizado, da mesma forma que as 'tomadas' feitas com o ator Victor Spinetti (o cientista Foot) no interior das lojas Harrods. No dia 27 de abril foram gravadas as memoráveis cenas dos Beatles disfarçados, no aeroporto, antes do embarque para as Bahamas. George, John e Ringo antecipam nos disfarces, visuais que adotariam em futuro próximo. John com uma longa barba semelhante à imagem que teria em 1969. Ringo com a barba e bigode que o acompanhariam até os dias atuais. E George antecipando a aparência da fase Sgt. Peppers. No dia 28 de abril, pausa na produção de Help, para uma gravação histórica. Os Fabs contracenam com Peter Sellers, para um evento especial. O famoso ator inglês foi escalado para entregar-lhes um Grammy Award pelo filme A Hard Days Night, como Melhor Performance de um Grupo Vocal. Na gravação que seria exibida durante a cerimônia de entrega dos prêmios, John Lennon finge falar francês, e os outros se juntam a ele. Ao lado de Sellers eles finalizam a breve participação no Grammy cantando um trecho de It's a Long Way to Tipperary. A NBC levou ao ar o material no dia 18 de maio de 1965. No dia 29 de abril, Dick Lester dirige novas filmagens. Fica pronta a gravação da cena em que os indianos tentam tirar o anel do dedo de Ringo utilizando uma moto serra. No dia seguinte é filmada a ação em que supostamente estariam gravando You're Going to Lose That Girl e, ao final, Ringo some num buraco aberto com um serrote por seus perseguidores, juntamente com sua bateria. No dia sete de maio a cena-solo de Paul McCartney, na qual ele vira miniatura ao ser injetado acidentalmente por um liquido redutor, é filmada. Deu trabalho. A equipe de carpintaria levou duas semanas para produzir objetos gigantescos como cinzeiros, sofás, roupas, uma enorme bota e outros itens usados na cena. As filmagens que mostram o Palácio de Buckingham 'por fora', e também seus jardins, não foram feitas lá, mas na famosa Casa Cliveden, uma belíssima edificação vitoriana alugada pela produção. Outros ambientes do Palácio e da Scotland Yard foram montados nos estúdios Twickenham. Diversas seqüências aproveitadas ou não seriam capturadas na Casa Cliveden.
Entre as últimas cenas rodadas para o filme, destaque para as imagens clássicas que mostram a banda fingindo gravar num estúdio ao ar livre, montado em Salisbury Plain, área militar nos arredores de Londres. Para utilizá-la a produção precisou de autorização especial do Ministério da Guerra Britânico. O exército também cedeu equipamentos bélicos - e soldados! Muitos deles participaram como figurantes.
O filme Help, aliás, ficaria concluído com as cenas capturadas na Casa Cliveden no dia 11 de maio. No dia 12 foram gravadas cenas externas em diversas locações em Londres, sem a presença de nenhum dos quatro. Para comemorar o final das filmagens, os Beatles e equipe jogaram uma partida de futebol nos suntuosos jardins da Casa Cliveden. O material foi filmado em 8 mm 'silent movie'. Trechos aparecem agora como bônus no DVD. No dia 12 de junho os Beatles receberam a imprensa e convidados especiais para assistir o primeiro 'copião' do filme Help. Nenhum dos quatro acompanhou o processo de edição e montagem, trabalho que coube integralmente a Richard Lester. É curioso observar que as primeiras cenas gravadas (nas Bahamas) fecham o filme. As cenas capturadas por último (Londres) constam da abertura e primeira parte. As gravações nos Alpes foram editadas na segunda seqüência da ação. No dia seguinte a apresentação para convidados as sessões de cinema começam a exibir o trailer de Help com uma curiosidade: cenas que não aparecem no filme são mostradas lá, como é o caso da seqüência em que Paul McCartney aparece dirigindo um carro esporte conversível. No dia 29 de julho, Walter Shenson informa que a nova aventura cinematográfica dos Beatles custara 1,5 milhão de dólares. Três vezes mais que A Hard Days Night. Acontece a estréia mundial de Help, com uma festa de gala em Picadilly Circus, Londres. O filme ganha as salas de cinema do mundo pouco depois, solidificando o fenômeno que passamos a chamar de Beatlemania. E Suas Sutis Diferenças ![]() São dois discos bastante distintos. A edição inglesa chegou ao mercado no dia 6 de agosto de 1965 com selo EMI. A americana saiu no dia 13 do mesmo mês pela Capitol. O lado 'A' do LP inglês trazia as canções da trilha sonora. No 'B', faixas não aproveitadas no filme entre elas o clássico "Yesterday". Já havia uma preocupação da Capitol em 1965 em 'concorrer' com a EMI, com a predisposição de fazer discos mais bem acabados em termos de layout, para seduzir consumidores. A versão americana do LP Help tem 'mais cara' de trilha sonora. Trata-se de um luxuoso álbum capa dupla recheado de fotos promocionais clicadas nas filmagens. Conta a história que o público feminino da época chegava ao ponto de 'comprar' duas vezes o Help americano para 'recortar sua embalagem interna' e transformar as fotografias em porta-retratos que eram pendurados na parede do quarto. Além das sete canções originais, a trilha sonora do Help americano inclui a curiosa trilha incidental produzida e arranjada pelo maestro Ken Thorne. Nos arranjos, a utilização de sons e instrumentos indianos que precedem os experimentos que os Beatles fariam a partir do álbum seguinte, Rubber Soul. E 'versões indianas' com cítara, tabla e tudo o mais para algumas faixas populares do repertório dos Beatles. Antes do lançamento, um milhão de cópias do LP Help americano estavam encomendadas nas lojas de costa a costa, o que nunca havia ocorrido na história da indústria fonográfica mundial. Do outro lado, ou seja, na edição britânica da trilha sonora, persiste um erro histórico que virou clássico. Trocaram as posições de Paul, John, e Ringo na hora da montagem da capa sobre um fundo branco para imitar a neve dos Alpes. Como resultado, o sinal em que os Fabs pedem ajuda, perde o sentido. Em termos comparativos o sinal está correto na capa da versão americana, onde os Beatles aparecem na seguinte ordem: GEORGE - RINGO - JOHN & PAUL. Na montagem errada (capa do Help inglês) os quatro surgem da esquerda para a direita: GEORGE - JOHN - PAUL & RINGO. A explicação para esse erro mostra como funcionavam as coisas na poderosa EMI inglesa. As fotos individuais dos quatro Beatles foram recortadas a tesoura para a 'colagem' no fundo branco que resultaria na capa do Help. Nessa ocasião o erro de montagem foi cometido, passando por todos os que cuidavam do lay out das capas de discos na gravadora britânica. Quando finalmente o erro foi notado, milhões de unidades do LP Help já estavam nas ruas e não havia mais como efetuar a modificação. ![]() A presente edição 'definitiva' do Help em DVD preservou a mesma fotografia montada de forma errada, da capa do LP e do CD Help inglês. A exemplo do ocorrido com o relançamento de A Hard Days Night em DVD, esta reedição também desprezou as capas 'originais' utilizadas nas versões em VHS e LD ao longo dos anos 80 e 90. Com pequenas diferenças, as antigas produções em vídeo usaram sempre a mesma fotografia para a capa - os Beatles vestidos em costumes de inverno e envoltos por um cachecol que lhes enlaça o pescoço. Essa clássica foto promocional apareceu pela primeira vez na embalagem interna da capa dupla do LP Help publicado pela Capitol americana. ![]() É impossível passar despercebida do ouvinte mais atento a qualidade sonora da nova cópia do Help. A edição de som ganhou um vigor inédito, e é possível notar que alguma coisa foi feita para melhorar a trilha sonora. Remasterização? Remixagem? A ficha técnica não esclarece muito a respeito. A 'ouvido nu', todavia, é possível observar que canções como Ticket to Hide soam limpas e claras. Mesma coisa com You're Going to Lose That Girl, beneficiada com o realce de seu teclado - mais proeminente num canal - e o overdub de bongô, editado com maior nitidez que o contido na gravação do LP/CD Help, especialmente para o filme. A gravadora providenciou um promo single interessante (invendável) que trás as sete faixas da trilha sonora pretensamente remixadas. O item foi distribuído para emissoras de rádio, televisão e mídia eletrônica. Não vai demorar a virar raridade. Ainda que o trabalho feito na trilha sonora de Help não seja a remixagem que esperamos para o futuro, vale o registro de outro acerto da produção deste relançamento. A qualidade dos tracks não foi piorada como ocorreu no DVD do A Hard Days Night. Isso por si é uma boa noticia. Talvez a verdadeira 'novidade' em termos sonoros esteja contida nos créditos do DVD de extras deste novo Help. É tocado um trecho de Act Naturally com qualidade estupenda, limpa, lembrando verdadeiramente a sonoridade dos discos Let it Be Naked e Yellow Submarine Songtrack. Porque essa inclusão? Talvez para provocar os fãs. Quem sabe seria um 'aperitivo' do almejado relançamento de toda a coleção dos Beatles com qualidade sonora decente e atualizada? Resta-nos esperar... Help em Fatos e Curiosidades
Durante a fase de gravação aqui relatada, procurei resgatar detalhes de cenas que foram registradas e não aproveitadas. Onde elas estão? Porque não aparecem como extras no segundo DVD? Em 1970, cinco anos após as gravações de A Hard Days Night e Help, Richard Lester foi aos estúdios Twickenham. Com os roteiros originais dos dois filmes debaixo do braço, buscava resgatar para seu arquivo pessoal as cenas não aproveitadas.
Sabia ele - e os roteiros confirmavam - que nas duas produções um bom material ficara de fora. Antevendo quem sabe a era do vídeo doméstico, Lester decidiu guardar consigo os velhos arquivos, ao tempo em que uma outra produção dos Beatles gravada em Twickenham estava nas telas de cinema mundo afora, Let it Be. Ao procurar os estúdios, Lester teve uma grande decepção. Foi informado que as latas de filmes com rolos originais do material não aproveitado em Help e A Hard Days Night haviam sido jogadas fora! Indignado o cineasta protestou, mas a direção dos Estúdios Twickenham informou que a lei do audiovisual vigente na Inglaterra aquela época não lhe obrigava a guardar 'sobras' das produções por período superior a cinco anos. A política em Twickenham era prosaica: materiais não reclamados pelos autores ou produtores após cinco anos eram simplesmente descartados. Como? Através da incineração. A 'cena deletada' com Wendy Richards, comentada nos extras do segundo DVD do presente relançamento, não é exibida porque simplesmente virou fumaça no forno crematório, assim como todas as demais não utilizadas. Restaram as fotografias. Ao longo do presente relato, fiz o possível para 'resgatar' pelo menos a idéia contida na sinopse de cada cena não aproveitada... As (poucas) cenas de Help e A Hard Days Night que aparecem como 'extras efêmeros' nos DVDs vêm dos arquivos pessoais - de Richard Lester, e de integrantes das equipes de filmagem. A maior parte foi capturada através de câmeras super 8 mm, sem áudio. O material filmado profissionalmente e não aproveitado nos dois filmes, parece ter desaparecido para sempre. Apesar desta 'versão definitiva' Não jogue fora seu exemplar pirata do Help. Existe uma caprichada edição que contém uma entrevista com Richard Lester, em preto e branco, na qual ele faz revelações acerca de seu trabalho no cinema, incluindo os dois filmes dos Beatles. Esse material foi dispensado da nova edição em DVD. Há outros extras interessantes que constam das antigas edições em VHS, LD, e DVD do filme. Imagens dos Beatles recebendo um prêmio da Radio Caroline., 'silent movie' em preto e branco capturado em Salisbury Plain, imagens da chegada da banda em Londres após uma curta tour pela Europa. Nada disso foi utilizado nos extras do novo lançamento. George Martin resolveu tirar uns dias de férias enquanto os Beatles filmavam na estação de esqui nos Alpes da Áustria. Não foi uma boa experiência. Logo no primeiro dia ele tentou esquiar, sofreu uma entorse e quebrou o tornozelo. A premiere mundial de Help aconteceu no dia 29 de junho de 1965 no famoso London Pavillion. O evento começaria no final da tarde, porém desde as oito da manhã os fãs ocuparam a área de Londres conhecida como Picadilly Circus. A polícia destacou 250 homens para garantir a ordem, mas eles foram insuficientes para conter uma turba de mais de 10 mil pessoas. Até a famosa estátua de Eros foi literalmente 'escalada' e 'ocupada' por jovens aos gritos. John Lennon teve de esperar vinte minutos até conseguir descer em segurança do seu Rolls-Royce. A Casa Real Britânica se fez presente na 'premiere' representada pela Princesa Margaret e Lorde Snowdown. Numa conversa com Ringo Starr a princesa afirmou que achou os Beatles muito pessimistas em seus diálogos no filme, tendo preferido o clima 'mais alegre' de A Hard Days Night. "Mesmo assim eu me diverti muito. Chego e saio com a mente aberta", teria dito ela. Um total de seis mil libras foi recolhido entre os vips que participaram da premiere de Help. O dinheiro arrecadado foi entregue a duas casas de caridade sediadas em Londres: Variety Club of Great Britain e Variety Club's Heart Fund. Logo após a estréia de gala, o novo filme dos Beatles ganhou o mundo estreando simultaneamente em 250 cinemas dos Estados Unidos. Em setembro de 1965, Help desembarcou no Brasil. O filme foi o representante britânico no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. O evento aconteceu entre os dias 15 e 26 daquele mês, lotando as casas de exibição. Foi justamente em nosso país que Help faturou seu primeiro prêmio. Por ocasião do lançamento brasileiro, o filme teve sua produção, digamos assim, 'abrasileirada'. A gravadora Odeon publicou um disco com o título, Socorro. Tratava-se de um LP estranho - que se chamava Help na capa e 'Socorro' na contracapa. Do lado 'A' as músicas da trilha sonora. Do lado 'B' faixas que até então não existiam nos lançamentos brasileiros: I Feel Fine; Thank You Gril; I'm Down; Ask me Why e PS I Love You. A mesma expressão 'Socorro' foi utilizada na confecção dos cartazes de cinema.
O lançamento brasileiro mais curioso - e raro - ligado ao filme foi um livro com o título HELP! A Maravilhosa História dos Beatles. A publicação contém simplesmente todo o roteiro original da película, da primeira a última cena, apesar de sutis adaptações. O autor original chama-se Al Hine. O item foi licenciado pela produtora de Walter Shenson e publicado em diversos países do mundo, ao melhor estilo 'assista ao filme e leia o livro'.
A publicação ficou a cargo da Editora Bloch, a tradução brasileira foi feita por Hedyl Valle Júnior e o layout da capa desenhado por ninguém menos que Ziraldo! Nos traços os rostos dos Beatles inconfundivelmente 'tropicalizados' ao estilo do cartunista. O filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, dirigido por Roberto Farias como um veículo de divulgação para o Rei, , é uma imitação descarada de Help quase da primeira a última cena. Imitação mesmo, inclusive de andamento, fotografia, quadros, etc. Como reagiram os críticos ao segundo filme dos Beatles? Não houve unanimidade como na película anterior. O jornal inglês especializado em cinema The Spectador argumentou que havia muita semelhança com as produções de James Bond. "Até o original score é copiado do 007", assinalou. O Daily Express gostou: "os cenários que incluem uma casa futurista com tudo automatizado é o sonho da juventude mundial, e os Beatles em cena são tão divertidos quanto os Irmãos Marx". Kenneth Tynan, do The Observer, escreveu: "Os Beatles não são atores naturais nem exuberantes para se mostrarem divertidos diante das câmeras. O estilo dos quatro é seco e lacônico e suas vozes não se preocupam em disfarçar o inconfundível sotaque de Liverpool. O filme funciona porque Richard Lester maneja bem as imagens, sem jamais pedir a eles para reagir de maneira a transmitir alguma emoção, nem mesmo ante o perigo iminente das cenas do restaurante, onde a vida de Ringo está em perigo." Nos EUA também houve divisão entre os críticos, mas o filme foi um sucesso de público, lotando cinemas e contribuindo decisivamente para cristalizar a beatlemania. As imagens em cores na tela do cinema ainda impressionam, e para isso nem precisa uma tela tão grande, basta sentar-se confortavelmente diante de seu receptor de TV e assistir o belo trabalho de recuperação das imagens. Foi através da exibição de Help nos cinemas que o mundo inteiro pôde ver os Beatles em cores e em movimento. Help chegaria nitidamente para platéias que jamais veriam os Fab Four ao vivo - como nós aqui da América do Sul. Meses após a estréia de Help, o produtor Walter Shenson e a United Artists tentaram capitalizar o filão representado pelo ingresso dos Beatles no mundo da sétima arte. Outros grupos dos anos 60 embarcaram na onda do cinema imediatamente. Dezenas de esboços de roteiros foram apresentadas aos Beatles e a Brian Epstein com o objetivo de emplacar uma terceira produção cinematográfica para o ano seguinte. Uma dessas chegou a ser cogitada. Tinha até título, A Talent For Loving, ambientada num cenário de faroeste, mas a idéia jamais se materializaria em celulóide. Dos quatro Beatles o mais crítico com Help sempre foi John Lennon. Na famosa entrevista concedida no começo dos anos 70 para Jann Wenner ele disse: "Help foi um filme arrastado, porque nós não sabíamos o que estava acontecendo. Lester estava um pouco a frente do tempo, muito inspirado nas coisas do Batman, enquanto nós estávamos quase sempre chapados. Creio que os melhores esforços foram feitos na sala de montagem para dar algum sentido a produção, mas não adiantou muito. Help para mim é uma grande bosta." Paul McCartney achou que That Means a Lot seria uma bela composição para o novo filme. Fez o possível para concluí-la em estúdio, num período em que os Beatles dispensavam poucas horas à produção das músicas porque lhes faltava tempo. That Means a Lot foi tentada várias vezes, mas ninguém gostou do resultado final. Ainda assim Paul mostrou uma edição da música para Richard Lester, que não se impressionou. Situação semelhante ocorreu com You Like me Too Much. Quando a gravação foi concluída os quatro Beatles acharam que a canção seria perfeita para o filme, mas Lester achou I Need You muito melhor. A primeira composição de George gravada para o LP Help ficaria condenada ao lado B. A primeira restauração do filme Help foi exibida pela primeira vez no American Movie Classics, um canal de TV a cabo dos Estados Unidos no dia 2 de julho de 1996. Na seqüência vieram as edições em VHS e LD. A produtora Criterion Records lançou uma versão dupla do Help em laser disc. O item - bastante caro - não tinha nada de especial. A única justificativa para os dois discos era a tecnologia CAV que permitia os efeitos 'pausa' e 'slow motion' (!) indisponíveis nas edições 'normais' dos demais LDs. Sem disfarçar uma ponta de mágoa, Walter Shenson disse, quando do lançamento de Let it Be em 1970, a seguinte frase: "finalmente os Beatles realizam seu terceiro filme, cabendo a mim apenas uma pequena parte nos lucros. Se tivéssemos uma idéia sensacional em 1966, um belo script teríamos feito o terceiro filme naquela época, com resultado melhor que as sessões de gravação do Let it Be..." This film is "respectfully dedicated" to the memory of Mr. Elias Howe, whom in 1846, invented the sewing machine. CLÁUDIO TERAN ccsteran@yahoo.com.br | ||
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