All Thing Must not Pass

Há um ano estou em Brasília. Me mudei de Belém do Pará para cá por motivos profissionais, mas a vida pessoal começou se misturar com a nova rotina. Algumas coisas ficam inevitáveis.
Eu descobri que ser beatlemaníaca em Brasília é diferente de ser beatlemaníaca em Belém. Foi na minha cidade que tudo começou, que descobri a magia dos Fab4. As chuvas que deixavam a capital paraense cinza, com suas mangueiras molhadas, me lembravam Londres, o sinal que eu atravessava todos os dias para ir ao colégio, Abdey Road. O cantinho dos Beatles no programa de rádio do Edgar Augusto. Da adolescência pra vida adulta, tinham as noitadas no bar Liverpool, com os Beatles Forever fervendo no palco e eu descobrindo que a combinação Beatles-álcool não dava muito certo...
Nunca amei ninguém ao som dos Beatles. Minha paixão pelos meninos sempre foi solitária. Vinha acompanhada de alegria em alguns momentos, tristeza na maioria. No dia 10 de abril de 2010, há exatos 40 anos, os Beatles acabaram oficialmente. São os dias do mês que eu mais escuto “Let it Be” e “Abdey Road” e penso: “porque algumas coisas não passam?”.
Trabalho para alguns, distração ou curtição para outros, enfim. Há muita gente no Brasil que vive em função da beatlemania e graças a Deus temos gente como o Malagoli ou o Zé Lennon para nos ajudar. Mas cheguei a conclusão que, para mim, nesse momento, os Beatles representam saudade. O pior. Diferente do que diz o George em uma de suas mais belas músicas, ela não passa.
No último final de semana, assisti ao DVD do “Concert for George”. É um show lindo produzido pelo Eric Clapton um ano após a morte do meu beatle preferido (sim, é ele!) – minha amiga Audrey estava lá e tenho muito orgulho disso! – mas eu senti tanta saudade do George. Senti saudade de Belém. Senti saudade dos meus amigos, dos brindes ao som de “I Wanna Hold Your Hand”. Das horas de medo e angústia em que eu ouvia “The Inner Light” junto com o barulho da chuva ou de alegria, quando ouvia “Getting Better” no volume máximo.
O que fazer com a saudade dos Beatles? O que fazer com um sentimento que dura 40 anos em milhões de corações solitários? O que fazer quando vem aquele aperto quando toca aquela música, quando dá vontade de chorar? Não sabemos o que fazer. Nunca saberemos.
Aletheia Vieira
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