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  Entrevista
Chris O'neill

O filme "Backbeat" (no Brasil, 'Back Beat - os 5 rapazes de Liverpool') foi um grande sucesso mundial, criou uma nova geração de fãs dos Beatles e agora, na era do DVD, a qualquer momento estará sendo relançado em edição remasterizada. Enquanto isso, Audrey Copping, direto de Londres, esteve com os atores Stephen Dorff e Chris O'neill (respectivamente o Stu e o George do filme) e entrevistou o Chris para o nosso portal!






28 de Outubro de 2003

O bar O'Neill tem um estilo japonês, a iluminacao é pouca e eu me encontro tomando uma taça de vinho com minha amiga beatleaníaca Juliana.A expectativa é grande, pois sei que daqui há alguns minutos me encontrarei com o Chris O'Neill (o George do filme Backbeat) para uma entrevista. Essa entrevista foi arranjada em pouquíssimo tempo, tudo comecou no dia 25 de outubro, depois de ter ido à apresentação do filme Backbeat nos estúdios Abbey road (Leia tudo aqui), eu voltei pra casa e comecei a dar uma olhada nos sites do filme, e para minha surpresa acho o e-mail do Chris. Sem hesitar muito, mandei-lhe um e-mail me apresentando como correspondente do site Beatles Brasil, coloquei até o endereço eletrônico do Portal e da minha coluna "British Girl". Neste e-mail eu propunha uma entrevista ao Chris. Para minha grande surpresa, o Chris leu meu e-mail e me respondeu quase que de imediato! Ele estava aceitando meu convite, e para minha sorte ele estaria em Londres na semana decorrente, entao a entrevista seria ao vivo e a cores! O Chris me pediu um número de telefone no qual ele pudesse me contactar e eu mais do que depressa providenciei meu celular. Na segunda-feira dia 27, eu recebi um telefonema do Chris me convidando para assistir a uma apresentação de sua banda num barzinho de Londres. Sem pensar duas vezes eu aceitei.

Lembro de comentar com a Juliana: "E se o Chris não souber quem eu sou? Vai ficar chato me aproximar dele". Mas foi eu terminar de dizer isso, que um rapaz alto vestido de preto chegou bem do meu lado acompanhado por um outro rapaz e disse: "Olá, Audrey! Prazer em conhecê-la"! E como se tivesse saído do Backbeat, eu vejo o Chris bem à minha frente, sorrindo. "Oi, Chris! Prazer em conhecê-lo", disse. Ele foi logo me apresentando ao seu amigo David Railey que tocou na banda China Crisis na época de 1980, e que atualmente toca bateria na banda do Chris. Eles ja foram logo se sentando com a gente perguntaram o que gostaríamos de beber e tudo mais...

O Chris disse que tinha algo para mim, e trouxe dois CDs, seu album "Water Rainmaker" e o single "War Child" (que é uma música muita linda), sem esperar muito eles já foram autografando os dois CDs. Conversamos um pouco e eu acabo descobrindo que o Chris me conhecia do Portal Beatles Brasil, ele tinha visto minha foto, então foi fácil me reconhecer no pub. O senso de humor Liverpudliano predominava em nossa mesa, e depois de rir muito com esses adoráveis rapazes eu começo minha entrevista.


Você sempre foi fã dos Beatles?
Sim, tirando a época em que eu era bem pequeno e não sabia andar direito. Mas depois que eu comecei a andar, e meus ouvidos começaram a gostar de música... eu me lembro dos discos dos Beatles. Eu me lembro deles desde quando era bem pequeno. eu semprei os amei, e sempre irei amá-los.

Como voce se envolveu no BackBeat?
Bem, este meu amigo que está aqui comigo, o David, ele toca bateria na Backbeat Beatles. A namorada dele era atriz há um tempo atrás, e ela nos disse que estavam procurando pessoas para participarem de um filme. Não era o Backbeat, era para um filme antes do Backbeat.

O filme do John Lennon?
Sim, um filme sobre o John. E nos fomos para o teste desse filme e eles estavam procurando por pessoas que tivessem um look irlandês,sabe? Cabelos escuros, olhos azuis, esse tipo de pessoa. Mas não para protagonizar numa banda dos Beatles, eles queriam apenas alguns músicos de fundo para este filme sobre o John. Então, este filme acabou não sendo feito e depois de uns dois anos... é acho que depois de dois anos, a mesma produlçao que estava recrutando o elenco do filme do John estava recrutando o elenco para o Backbeat. E eles alugaram o mesmo local onde estiveram fazendo os testes, e basicamente a caixa com as fotos das pessoas que tinham feito o teste ateriormente continuava lá no canto da sala. Então eles estavam procurando por um Paul e um George, e basicamente tudo o que eles fizeram foi puxar da caixa a minha foto. Eles me ligaram e me pediram para fazer os testes, e eu tive que fazer a minha fala dos bolinhos. E tive que falar igual o George.

A fala era: "Eles têm comida no barco..."
Eles tem comida no barco e tudo mais... e quando eu me dei por mim, depois de duas semanas eu estava no filme.

Você teve que estudar alguma coisa sobre o George antes das gravações?
Bom, felizmente eu era um grande fã dos Beatles, eu sabia. Eu realmente era fã dos Beatles. O meu primeiro disco deles, um dos primeiros discos que eu comprei foi o "Beatles no Star Club". Então foi aí que eu comecei a tocar guitarra. Eu sabia os acordes e tudo mais, eu sabia todas as músicas, e eu simplesmente os amava. Então foi bem fácil pra mim, como você pode ver.

Você acha que Backbeat foi realístico ou glamourizado?
Tem que ter um pouco de glamour em todo filme, especialmente em filmes sobre música. Eu tenho tocado em bandas por anos, e é uma longa estrada, e na realidade, você tem muita sorte se consegue chegar no topo. Sei lá, eu acho que o filme é bem próximo da realidade, mas eu acho que se tem uma coisa que me deixou puto da vida foi ver o John cantando "Long tall Sally" ao invés do Paul. Eu não entendo por que eles fizeram isso, isso foi errado! Me desculpa, Paul. Não teve nada a ver com a gente.

Você chegou a conhecer os musicos que tocaram na trilha sonora do filme, como o Billy Preston, por exemplo?
Não, não cheguei a conhecer ninguém. A única coisa que eu tive que fazer no filme... que eles me pediram pra fazer, foi colocar a minha voz na musica "I Remember You". Eles apenas me disseram pra fazê-la numa manhã.

Então você não teve contato nenhum com os músicos.
Não mesmo. Eu não entendo o porquê deles quererem usar americanos para fazer a trilha sonora desse conjunto multi-conhecido de Liverpool, na Inglaterra.



É realmente estranho
Sim. Mas a energia deles (músicos) era fantástica.

Você chegou a encontrar com a Astrid e com o Klaus Woorman?
Sim, vi a Astrid há uns meses atrás pra ser sincero.

E o que voce achou dela? Voce viu o Klaus tambem?
Sim eu conheci o klaus e o produtor dela, não sei se você o conhece.

Não.
Ele é um cara muito bacana. Foi quando a gente estava fazendo as cenas em Hamburgo. Ela (Astrid) é uma pessoa linda, fantástica. Ela simplesmente amou a gente, porque éramos seus Beatlezinhos no filme. Ela contribuiu muito no filme. Foi ótimo.

Ela parecia estar emocionada e comovida com o filme?
Sim, dava pra perceber. Ela estava sempre me abraçando, tinha uma quedinha pelo George. E eu era o Georginho dela.



Como assim? Na vida real?

Sim, pois ela era bem próxima do George.

Era? No filme, tem uma cena em que ela beija o John, e dá uma idéia de que ela era meio a fim do John.
Bem, eu acredito que ela deve ter tido algo com o John, mas eu sei que o George era seu favorito. Ele mesma me disse.

Eu nunca iria adivinhar...
Ela teve uma quedinha por mim também...

Você está falando serio?
(Risos) Sim, ela teve. Ela sempre foi um amor comigo.

Você sabe se algum dos 3 Beatles assistiram ao Backbeat?
Eu acredito que o George esteva na Premiere, e conversou com algumas pessoas.

Você estava lá?
Eu estava, mas não o vi. Eu acredito que ele estava lá, mas não sei com quem ele conversou. Ele deu as caras. Eu não acho que o McCartney gostou do filme. Pelo menos é o que eu ouvi. Provavelmente porque o John roubou muito a cena. Eu quero dizer, ele (John) era um dos papéis principais. Então, dá pra se compreender. Eu nao sei nada sobre o Ringo. (grita) Ringo cadê você???

Você encontrou algum dos Beatles, ou esteve em algum concerto Beatle?
O do McCartney. O do Paul McCartney. Em 1980 eu achei que iria conseguir caminhar de onde morava ate Liverpool, que eram mais ou menos umas 15 milhas do centro. Me levou umas 6 horas pra chegar lá, e quando cheguei os bilhetes estavam esgotados. Eu fracassei. Em 1990, eu o vi com a Linda no Albert Dock em Liverpool. E eu o vi novamente na turnê deste ano em Manchester, e foi maravilhoso. Então, eu o vi duas vezes.

A sua banda Backbeat Beatles já tocou na Beatle Week em Liverpool?
Sim, uma vez.

Quando?
No ano de 1994, quando o Backbeat saiu, eu nem tive que me caracterizar nem nada. Eles apenas me queriam lá porque eu tinha feito o filme. Eu fiz uma rápida apresentação e foi muito bom. Eu quero voltar lá.



E por quê você nunca mais voltou?
Porque eles nunca me pediram (risos). Eu acho que é porque existem tantas bandas disponíveis, e sempre acontece de eu estar tocando fora de Liverpool, ou fora do País. Mas eu pretendo tocar na Beatle Week do ano que vem. Eu tenho alguns shows surpresa em Liverpool para o ano que vem.

Eu amei o seu novo álbum "Water Rainmaker". É bem anos 60 e sofisticado, o quanto dele foi influenciado pelos Beatles?
Eles (os Beatles) tem tanta influêcia sobre mim.... eu diria que provavelmente 80% Beatles e 20% influenciado pelo Crowded House. Sei lá, eu não consigo evitar, por que eu vocalmente sou parecido com o Paul. E uma coisa que acontece: eu cresci ouvindo Beatles e inevitavelmente acontece de ter uma certa semelhança. As músicas não são músicas Beatles, mas elas soam como se pudessem ser de um álbum dos Beatles. Você irá perceber isso depois de ouvi-las propriamente, eu acho que você vai gostar... eu espero que voce goste!

Você se vê como um ator que toca músicas ou como um músico que encena?
Um músico que encena.

Por quê?
Porque eu não acho que consigo encenar (risos), eu sou um músico, não fiz muitos filmes.

Mas você fez alguns filmes e televisão, não?
Sim, eu fiz um bocado de filmes ruins, que nem sequer foram editados. Eu nem quero comentar sobre isso. Eu fiz alguns programas de televisão... mas o que eu gosto mesmo é de compor canções. Eu prefiro ser um músico. É bem chato fazer filmes. Tudo o que você faz é ficar vagando pelos cenários. A menos que você seja o ator principal, dai é mais interessante, mais legal. Mas eu ficarei com a música.



Fim de Papo

Ao terminar a entrevista, Chris conversa com a gente por mais uma meia hora. O papo estava bem descontraído, eu mostrei pra ele minha pasta com todos os artigos feitos por mim. Acho que ele ficou impressionado. Pedi pra ele assinar minha capinha do filme do Backbeat, e o mantive ocupado assinando autógrafos para o Portal, para as meninas (Bea e Sarah) e ainda tive a audácia de pedir pra ele dar um "Hello" pra minha mãe por telefone. Foi tão engraçado... eu liguei pra minha mãe (que também assistiu o filme zilhões de vezes) e disse: Mãe, o George do Backbeat quer falar com você! Passei o telefone para o Chris, que disse: "Olá, Mãe da Audrey! Eu estou aqui com sua bonita filha, estou com essas pessoas maravilhosas tendo uma ótima conversa com elas". Minha mae deve ter dito algo do tipo: "Eu gostaria de estar aí também", para o que ele respondeu: "Eu gostaria que você estivesse aqui mãe da Audrey!".

Papo vai, papo vem eu me prontifiquei a comprar uma rodada de bebida para a mesa e perguntei para os rapazes o que eles queriam. O Chris perguntou o que eu gostaria, eu disse que gostaria de outra taça de vinho. Ele perguntou se era branco e seco, eu respondi que sim, e ele disse que iria comprar pra mim. Eu disse que era por minha conta, uma vez que ele tinha me dado a honra de entrevistá-lo. Ele insistiu e eu acabei cedendo, e deixei ele comprar...

E uns vinte minutos antes do Chris tocar, o Stephen Dorff chega ao barzinho, mais lindo do que nunca. O Chris me apresenta como reporter do site brasileiro, ele me cumprimenta dando a mão, e eu digo: "Eu estou tão feliz em vê-lo!". Ele sorri e diz: "É um prazer vê-la". Junto com o Dorff estava o diretor do filme, que eu havia pedido o autógrafo na Abbey Road, o Iain Softley. Juliana e eu acabamos ficando rodeadas por essas pessoas extraordinárias, e pra dizer a verdade, tudo aquilo parecia um sonho, parecia que estávamos dentro do filme, foi surreal.

Alias, eu disse isso pro Chris e ele riu, e me disse que era estranho, porque o bar em que estávamos parecia com o set de filmagens dos bares de Hamburgo do Backbeat, que a propósito eram em Londres. Acabei descobrindo um monte de segredinhos das filmagens na nossa conversa. Por exemplo, a cena em que o George está pra fora do quarto com uma garota e ela pergunta se ele não gostaria de entrar, e ele diz que "não, pois está com frio", aquela cena foi filmada durante a luz do dia, porém um cobertor foi jogado em cima do local, para dar a impressao que era de noite.

E enquanto eu pisquei meus olhos, o Chris ja estava se preparando para tocar. Aproveitei a oportunidade para tirar minha câmera de dentro da bolsa e fotografar a cena. O Chris, carismático que só, mandava beijos pra mim enquanto eu tirava as fotos. Já o Stephen Dorff preferiu ficar quetinho assistindo o Chris num canto do bar.

Me aproximei do Stephen e perguntei se podia tirar sua foto depois da apresentação, e ele prontamente aceitou dizendo: "Sure!" com um sotaque bem americano. Ficamos parados ali, eu a Juliana e o Stephen Dorff. Fazíamos alguns comentarios sobre a banda de minuto em minuto.

A apresentação do Chris foi excelente, as músicas são bem estilo Beatle, John, Paul, The Verve, Julian Lennon... É bem legal.

Mas tudo que é bom dura pouco, e em menos de 15 minutos Chris estava de volta. Pra nossa sorte. Enquanto dava os parabéns para o Chris, o Stephen se aproximou e perguntou se eu gostaria de tirar a foto dele. Disse que sim, mas nao ali (essa frase parece até a da Astrid no filme, rs rs rs), pois estava muito escuro no bar. Fomos para a recepção do bar, onde estava mais claro, e o Dorff me perguntou se eu queria tirar uma foto dele com o Chris ou uma foto minha com ele. E eu disse que gostaria de tirar ambas. Dei minha câmera para o Chris e o Dorff disse: "vamos tirar uma foto com esta garota bonita". Nos abraçamos e... click!. O Chris me deu a câmera se juntou com o Stephen e click!

E finalmente eu dou a camera para o Stephen, abraço o Chris e click! click ! click! Três fotos foram tiradas. Não contente o Stephen ainda faz uma careta e tira foto de si mesmo.

Então, depois da minha sessão fotográfica (me senti a Astrid) o Chris diz que precisa ir embora, mas que ira arranjar um jeito de me convidar para o próximo evento Backbeat que iria estar acontecendo na quinta-feira dia 30. Ele me dá um forte abraço e diz: "estou tão feliz que você veio!". E eu digo: "Eu é quem estou feliz por ter vindo. Muito feliz mesmo". Nos abraçamos novamente e então eu vejo que ali estava nascendo uma amizade genuína. Pude ver o quão simples o Chris é. Ele volta comigo para a mesa onde a Juliana estava nos aguardando, ela olha pra ele e diz: "Eu me sinto frustrada sabia?" E ele: "É mesmo, por quê?". Juliana diz: "Porque os Beatles fizeram uma música para a Julia e outra para a Ana, mas nunca para a Juliana". E ele diz: "Ah, não se preocupe! Eu posso dar um jeito nisso". E ela fica em êxtase. O Chris nos dá outro abraco e diz que nós somos sweethearts!

Colocamos nossas jaquetas e fomos indo em direção à saída. Esperamos pelo Chris por uns 5 minutos, pois ele estava indo de mesa em mesa, se despedir e agradecer a todos que estavam lá. Antes de deixá-lo ir embora eu peço para que ele espere, pois a Juliana queria uma foto com ele também. Tiro a foto, e vamos para a rua. Ele entra no carro acenando para nós, e o Stephen Dorff diz: "See ya!". E acena. Antes de entrar no carro, essa cena parecia até a cena em que os Beatles deixam hamburgo e o stuart (Dorff) apenas acena para eles. Depois de vê-los partindo, Juliana e eu estávamos nos beliscando uma a outra pra ver se não estávamos sonhando. Lembro que peguamos o metrô e na escada rolante caiu a ficha e uma olhou pra outra e nos gritamos freneticamente, feito duas adolescentes nos anos 60.

* Agradecimentos: Bea e Carlos Edu por me enviarem algumas perguntas para a entrevista.