BEATLES CAVERN CLUB
Criado por Luiz Antonio da Silva, em atividade desde 25 de fevereiro de 1977.


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Cavern Club
Uma história que se confunde com a história da própria Beatlemania no Brasil


O começo
A Beatlemania no Brasil acompanhou ao fervor do resto do mundo, circulou dezenas de revistas em bancas de jornais. Principalmente no Rio de Janeiro, onde tínhamos uma revista mensal, e todos podiam se associar recebendo uma carteirinha. A revista mais importante era um álbum de figurinhas em preto e branco da Editora Brugera e móbiles com os Beatles em um palco.

Alem do Big Boy, tivemos figuras marcantes no rádio como o Enzo De Almeida Passos, que tocou Beatles pela primeira vez no Brasil, sendo seguido por Antonio Aguillar, e eu posso citar o cenário de SP, a Rádio Excelsior (a "Máquina do Som"). Os grandes locutores da época foram o Antonio Celso, Wellington de Oliveira e Mauricio Kubrusly.

Com o Antonio Celso eu participei do Baile da Máquina, realizado no ginásio da Portuguesa de Desportos. Eu cuidava dos sorteios e do telão, e o baile era apresentado via telefone pelo rádio. Um grande sucesso na época. O Mauricio Kubrusly, quando iniciou na Rádio Excelsior, eu levava discos piratas para ele fazer especiais do John, ou do Paul ou dos Beatles. Quem viajava para buscar as novidades em Londres era o Carlos Alberto Sossego, uma grande pessoa que tive a oportunidade de conhecer.

Os grandes beatlemaniacos desta época, grandes colecionadores que posso citar: Ricardo Pires de Mello (RJ) e Julio Freitas Serra (Fortaleza-CE). Eu e o Marco Antonio estivemos com eles e ficamos babando diante de tantas raridades. Naquele tempo discos piratas em vinil eram raros e muito caros. Nós não tínhamos nenhum. Eu adquiri o hábito de ao ir a programas de rádio e ao ver discos riscados sempre solicitava outros novinhos para a discoteca, no que era sempre atendido pela EMI-Odeon.

Bons tempos aqueles.

Outra coisa legal eram os cinemas, onde de uma sessão para outra tocavam músicas orquestradas e quando passava filmes dos Beatles nos cinemas, a gente conseguia com a gravadora os discos e pedíamos para o gerente deixar tocar Beatles nos intervalos das sessões.

Beatle-festas
Em 1978 realizamos o nosso primeiro grande encontro. O local era o salão de festas do prédio em que o Marcos morava na Casa Verde (Bairro de SP). O ingresso era uma camiseta. Oferecíamos salgadinhos e passávamos filmes em super 8. O Segundo grande encontro já teve que ser realizado em um local maior o Clube Royal, na Barra Funda (Bairro de SP). Na época tivemos o apoio da Rádio Difusora e do Som Pop (TV-Cultura). Realizamos ainda a Primeira Convenção Brasileira, com a presença em SP do fã-clube da Argentina, o Apple Corps, do meu amigo Horácio Daniel Dubini.

Realização de um sonho


O fã-clube, um velho sonho de criança começou a se materializar em 1.976. Neste ano o Brasil perdeu, Big Boy (Newton Duarte), que era um grande beatlemaníaco. Começou como disk-joquei, inicialmente ia aos estúdio das rádios da Baixada Fluminense com discos piratas dos Beatles embaixo do braço, sempre pedindo para tocarem. De tanto insistir, conseguiu, e chegou a ser apresentador de programas. Fez tanto sucesso que em pouco tempo já comandava noitadas de bailes. Daí chegou na Rádio Mundial, aonde o seu programa "CAVERN CLUB", ficou no ar durante 13 anos, sendo líder no horário das 18:00 as 19:00 horas.

Este sucesso também o levou à TV Globo, onde comandava a parte musical (papel este hoje feito pelo Maurício Kublusly) e participava do Jornal Hoje, sempre com beatle-novidades. Em SP ele teve programa na Rádio Excelsior, a máquina do som (Hoje CBN), o nome era "BEATLES AGAIN", produção de Sônia Abreu. Foi mais um grande sucesso. Em 1.976 ele veio a falecer em SP, crise de asma. Para todos nós foi a primeira pessoa irreverente que mostrava Beatles na TV e no RÁDIO. Ele tinha uma frase característica, que muitos de nós ainda nos lembramos com muito carinho:

- HELLO CRAZY PEOPLE, BIG BOY RIDES AGAIN !!!

Ficamos órfâos de Beatles e eu modestamente batizei o nosso fâ-clube com o nome de seu programa. Aí começou tudo.

Coloquei um anúncio na Revista Pop e em 9/10/1.977 iniciamos a nossa luta. A EMI-Odeon nos ajudou muito, as pessoas incríveis eram Jose Luiz de Toledo, Iorineu Sposito e Waldencir. Eles eram fantásticos! Nos davam posters, discos antes de serem lançados, adesivos da maçã e até os discos com defeitos eram quebrados e nos davam o miolo com a maçã para a gente usar como Porta-copo.

Em 1.978 uma pessoa tocou a campainha de minha casa. Era o MARCO ANTONIO MALLAGOLLI que, como fã, também queria ser sócio e ter a sua carteirinha. Como sempre foi uma pessoa inteligente, acabou participando da diretoria, pois eramos bem organizados. Tinha sempre uma pessoa para cada coisa. Os nomes que eu lembro: Mario Arbach e Flavio Rossini.

A primeira matéria em jornal foi em janeiro de 1.978, na Folha do Grande ABC. A primeira aparição na TV foi no programa de Antonio Aguillar, TV Gazeta-SP, em janeiro de 1.978.

Depois disso virou rotina. Até a Gloria Pires, garotinha, nos escreveu.

(Por Luiz Antonio da Silva)





Não deixe de ler a Parte 2 da nossa história:

- Cavern Club com o Paul
- Loja
- Viagem a Liverpool
- Livros escritos e a nossa carreira internacional
- Pessoas que influenciamos
- Mallagoli deixa o cavern club e cria o seu próprio fã-clube



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