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Dêem um Violão ao George!
Por Carlos Edu
Quando Paul disse que era um menino de apenas catorze anos, John deu um de seus característicos muxoxos:
- Bah! Bah! Vê se cresce!
- Mas John... pelo menos ouve o cara!
- Ta bom. Ele tá aí?
George surgiu timidamente pela porta grossa do anfiteatro e, nervosamente, tropeçou num pedal solto de algum piano que um desastrado esquecera no chão. O seu violão de apenas 3 libras chocou-se contra as costas de um violoncelo velho e arrebentou duas cordas. “Merda!”, pensou ele.
Paul ajudou-o a se recompor e percebeu as cordas inutilizadas. Correu até o balcão, onde os professores de música avaliavam os alunos, e pegou o seu violão, dando-o em seguida a George. Este começou a dedilhá-lo, quis falar algo, mas logo foi interrompido por John, que gritou em sua direção:
- Paul, você não disse que ele é melhor que o Eddie Clayton, nosso guitarrista? E então? Sai som aí ou não?
George fez um rápido sim com a cabeça e começou a tocar uma música que gostava muito, e que se chamava Raunchy. Após um começo nervoso George dominou o instrumento e repetiu a canção, agora sem uma hesitação sequer. John fez um sinal para Paul segui-lo até um canto do recinto e cochichou algo no seu ouvido. Paul voltou-se, enquanto John saia provavelmente pra tomar um lanche, e disse a George:
- Ele aprovou! Você já é um Quarrymen! Mas, George... você tocava Raunchy muito melhor do que tocou hoje...
George respondeu num misto de meiguice e leve raiva no olhar:
- E toco, Paul! Mas esse seu violão de cordas trocadas para canhotos é um saco!
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