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Let It Boi
Eu fiquei assim desde a minha saída dos Beatles.
De nada adiantou pagar cervejas para o Caetano durante o verão de 69 em Londres.
As letras que eu dei para ele, ele não soube pôr no papel e entregou para o Roberto Carlos gravar.
Ainda bem que eu não disse o meu nome verdadeiro.
Bom, depois de uma série de desencontros vim procurar mar em Goiânia.
Não achei, mas fiquei encantado com as fotos do Araguaia e com as cocotinhas do edíficio Acaiaca.
Tomei vários ônibus suburbanos e me apaixonei pela avenida Tocantins.
Nessa época as fotos do meu passado faziam sucesso e fui ficando numa de dizer que era eu mesmo, apesar de já estar duvidando.
Também essa coisa de pequi e peixe-na-telha já estavam no meu sangue.
Contei várias vezes para o pessoal a história do homem-walrus, mas ninguém entendeu.
Claro, o negócio aqui sempre foi boi.
Eles não tinham cabeça para entender 'Tomorrow Never Knows', sabem?, experimentalismos!, e quando conseguiam achar a própria boca enfiavam um roliúdi sem filtro dentro dela.
O tempo foi passando e me perguntavam por que que eu nunca envelhecia e eu dizia que era porque eu já estava velho o bastante e eles riam e me convidavam para mais um churrasco de apartamento.
Trem bão, sô!
Foi numa noite de outubro, quase achando que deveria voltar a compor, que eu resolvi me casar.
Afinal, com essas músicas que estão fazendo sucesso no Brasil, quem iria dar bola para mim?
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