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Flashes
Eu tinha certeza que já tinha sido o joelho do Paul McCartney. Sem poder explicar como esses flashes me vinham assim do nada, o meu psicólogo resolveu dizer que ia visitar o Bin Laden e vazou na noite de Natal. Ele deve ter rasgado o diploma no meio de alguma conversa nossa, na qual eu jurava que tinha tido filhos com a cadela Martha.
Tudo começou quando o Juliandro (vou chamar assim o meu psicólogo para garantir a ele uma nova tentativa na profissão) me ofereceu uma xícara de café. Ao recebê-la perguntei quanto de LSD ele havia botado nela.
- Hein? O quê você disse (arlã()? Tu tá doido? - Daí eu me desculpei e disse que tinha tido um flash vendo-me na casa do Dr. Robert e encarnado no seu assistente que colocava LSD nas xícaras dos Beatles...
Pobre Juliandro... sequer fumava cigarros normais.
No dia em que Ringo lançou Vertical Man eu resolvi que nunca mais iria me sentar. Só ficaria na posição vertical. Juliandro tentou por tudo colocar-me no divã, mas eu disse que Horizontal Man jamais! E dei um retoque no meu narigão postiço, para o seu desespero.
Pena que o melhor insight que tive acontecera numa madrugada. Eu estava saindo de uma boate, mais bêbado do que divorciado no carnaval, quando Stuart Sutcliffe apareceu num beco. Fez-me um sinal com as mãos e gritou: John! Eu olhei para ele e ele parecia muito bravo comigo... ou com John. Como um raio ele correu rumo à minha pessoa e desferiu um chute certeiro, com aquelas botas pontudas dos anos sessenta, direto no meu nariz. Lembro-me que, ao levantar cambaleante e melecado de sangue fitei-o e disse:
- Fuck you man! Why?
E ele:
- Fuck you, bastard! Tudo bem que você me fez comprar essa porcaria de contrabaixo que nem sei tocar, mas precisava mandar o fotógrafo tirar fotos somente quando eu estou no fundo do palco e de costas?
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