Projeto Buscas
Antes dos tiros dilacerarem o seu peito, John Lennon teve o corpo substituído pelo o de Doug Orquidário numa inimaginável fração de nanossegundo, na porta do Edifício Dakota.

Mais do que outros agentes de resgate do Projeto Buscas, Orquidário tinha uma constituição corpórea adequada para refazer-se das cinzas.

Os tiros? Ora, para ele esse tipo de causa mortis era de fácil absorção, assimilação e refazimento, diferentemente dos materiais químicos, pois em 1.977 quase comprometera o cronotransporte de Elvis Presley porque, ao assumir o corpo do Rei do Rock antes do batimento cardíaco final, as reações químicas dos remédios ingeridos, que levariam Elvis à morte, por pouco não puseram fim na sua iniciante e promissora carreira.

Ainda é um enigma de como que os exames bio e psicoseculuns de Orquidário não acusaram tamanha e seriíssima incompatibilidade. Por uma incrível sorte do mundo da música futura, e perfeita intervenção dos operadores do Projeto Buscas (além do alívio do próprio Orquidário, é claro), o cronotransportador Olmer Doski conseguira resgatar Orquidário, já em estado de cronoambiconvulsão e voltar a tempo levando Kilton Miltro, que não tinha problemas com compostos químicos, até um Elvis ainda vivo para completar a operação.

Até hoje quando se abraçam, indo ou vindo de outra magnífica missão, Miltro grita para Orquidário: “It’s Now Or Never!” E batem os punhos em saudação.

Miltro e Doski também trouxeram George Harrison (Orquidário certamente teria problemas com a quantidade de medicamentos que George estivera tomando) e se emocionaram muito, ao verem a alegria quase infantil de John ao lado de um George quase recuperado (George estava saindo do Stage One, receptáculo inicial de recuperação, após duas semanas da sua chegada) e contava novamente com os cabelos negros.

Ali na sala de pós-recuperação, John e George se abraçaram e ficaram em silêncio por alguns minutos. John podia sentir no ar a confusão de George ao fitá-lo assim tão de perto. Apenas disse-lhe naquela voz nasalada, cujo timbre tão querido trouxe a George uma torrente de imagens e emoções de um tempo maravilhoso: “- Calma, amigo. Está tudo bem. Vá descansar mais um pouco. Depois falaremos e sei que terei muitas respostas para as suas perguntas”.

Antes de sair George viu, através de uma gigantesca tela dividida ao meio, os passos de Paul e Ringo no ano 2.002 e apenas apontou para eles balbuciando para John: - “Mas...” E John batendo-lhe de leve nos ombro respondeu: “- Sim... Sim... Eles estão bem. Vá descansar”. E piscou quase imperceptivelmente para os Enfermeiros Intensos, que gentilmente conduziram George até o quarto número dois da Irradiação Cristal-Nine onde ele ficaria por mais uma semana.

John, tendo lágrimas teimosas a embaçarem os seus óculos redondos, fez com os dedos um sinal de ‘Ok’ rumo a um espelho imenso na parede posterior. Do outro lado, onde George não poderia ver, estavam Doski, Elvis Presley, Miltro e Orquidário, que se abraçavam num calmo choro de contentamento ao mesmo tempo em que se ouvia, saída de algum lugar, a maravilhosa e eterna 'Something' inundar de paz o claríssimo ambiente.