Ricardo Martinelli de Medeiros
Produtor e Baterista da Vix Beatles Cover Band
Vitória/ES

Me tornei realmente intimo deste incrivel album somente em 2009, quando a Vix Beatles Cover Band topou a complicada tarefa de fazer um tributo aos seus 40 anos, reproduzindo o album na INTEGRA. São 6 meses de trabalho, dedicaçao, muito estudo e esforço! Audiçoes diárias, muitos detalhes pesquisados em fontes diversas... O resultado final nao poderia ser melhor. A apariçao do sintetizador Moog, as incriveis harmonias vocais, o inesquecível solo de Ringo Starr e o duelo de guitarras...

Quanta qualidade... quanto carinho eles tiveram ao produzir este album! Músicas incríveis, como Something (a segunda música mais regravada da história, só perdendo para Yesterday), Come Together, Golden Slumbers, Octopus Garden entre outras, transformam o disco numa obra de arte. Os Beatles, como se sabe, são considerados por muitos a maior revoluçao musical desde Beethoven.

O album Abbey Road tem por si só um charme. O nome Abbey Road. O local que eternizou a quase totalidade das cançoes dos Beatles. Durante 7 produtivos anos os 4 fabulosos de Liverpool estiveram lá, com a maior força criativa jamais vista na história da música. É o fechamento com chaves de ouro de uma uniao que durou o que tinha que durar. O disco foi o mais vendido dos Beatles. E ainda continua sendo o mais vendido, em pleno 2009 com o relançamento do catalogo!!!



Marco Antônio Mallagolli
Músico e presidente do fã-clube Revolution
São Paulo/SP

Final do ano de 1969 e um novo disco ods BEATLES era aguardado, mas ainda (para variar) não tínhamos muitas informações. Até que fiquei sabendo que uma loja em São Paulo iria vender o novo disco dos BEATLES, antes de qualquer outra. Corri pra lá (ela ficava bem na porta de onde hoje e a Galeria do Rock) e entrei na fila. Por sorte eu estava bem na frente, pois eles não tinham muitas cópias... e saí de lá com meu disco ABBEY ROAD. Êxtase total! O grande problem e que a faixa "Here Comes the Sun" estava pulando e não era um defeito só do meu disco, mas de prensagem. Voltei a loja e o dono me pediu mais uns 20 dias, pois todos os discos vieram assim e ele só iria ter nova presnsagem quando o disco fosse lancado oficialmente.

Mas mesmo assim ouvi o disco "n vezes" e a cada audição eu o achava mais maravilhoso ainda. Esse disco, como todos os outros dos BEATLES, acabou fazendo parte da trilha sonora da minha vida e me fez porcurar ouvir cada vez mais BEATLES, pois ja havia no ar o "boato" da separação. Mas como isso ja havia acontecido antes, nao dei crédito. Como Sir George Martin disse - esse disco foi o "canto dos cisnes" dos BEATLES.



Edu Henning
Músico e Produtor Cultural
Vitória/ES

Quando penso em Abbey Road lembro da primeira vez em que vi o disco. Isso mesmo! A capa foi o meu primeiro contato com o disco mais vendido dos Beatles. Encontrei a reprodução da capa em uma revista. Uma foto simples. Os quatro atravesando a rua sobre uma faixa de pedestres. Nunca poderia imaginar que estava diante da capa de disco que, anos mais tarde, se transformaria na mais reproduzida da história do rock. Mas naquele época rolava o boato que Paul tinha morrido, três anos antes, num acidente de moto. E que em seu lugar tinha entrado um sósia. Mas teria que ser um sujeito duplamente abençoado por Deus. O substituto tinha que, além da cara, carregar o talento de Paul. Impossivel. Só existe uma pessoa assim no mundo. Mas, naquele momento, o boato da morte de Paul McCartney era alimentado pela imaginação de boa parte dos admiradores dos Beatles. E tinha, agora, a foto da capa do disco Abbey Road onde Paul era o único descalço e com os olhos fechados. Alem disso, segurava um cigarro com a mão direita (logo ele, o mais popular canhoto do planeta). E tinha também a placa do fusca branco, LMW, que seriam as iniciais de Linda McCartney Viúva. A história mostrou que nada daquilo foi tramado, planejado, idealizado por profissionais de marketing. A foto foi tirada em uma sessão que durou cerca de 10 minutos. Foram 8 fotografias em 10 minutos.

Hoje é impossivel ir até a porta de Abbey Road sem repetir o que os Beatles fizeram em 8 de agosto de 69. Isso também aconteceu comigo. Quando a banda Clube Big Beatles, da qual faço parte, gravou no lendário Estúdio 2 de Abbey Road, me preocupei em levar um CD player - na época o que tinha de mais moderno - com um exemplar do disco. No primeiro momento de folga corri para a esquina e fiquei sentado numa mureta ouvindo as 17 músicas que compõem Abbey Road. Pude observar os turistas do mundo inteiro que ficavam de lá para cá sobre a faixa de pedestres, tal qual John, Paul, George e Ringo. Naquele momento, a minha memória visual me transportava até o final dos anos 60, mais precisamente para o momento em que vi pela primeira vez a capa de Abbey Road. Enquanto isso, meus ouvidos recebiam canções como Come Togheter, Something, Here Comes The Sun e Oh! Darling. Lembro que fiquei pensando qual seria a magia que leva tantos do mundo inteiro a repetir, literalmente, os passos de uma banda de rock que já terminou há tanto tempo.

Na verdade desde que comecei a curtir música e conhecer a história por trás das composições dos Beatles, imaginei um dia poder ir até Londres e atravessar aquela faixa. E sei que esse não era um sonho solitário. Quantos até hoje pegam aquele disco e ficam sonhando em um dia fazer o mesmo? Talvez a foto simples e despretensiosa da capa do disco Abbey Road seja a síntese da tão procurada fórmula de sucesso dos Beatles.



Luís Pinheiro de Almeida
Jornalista
Lisboa/Portugal

Os álbuns dos Beatles são para mim como as canções são para Paul McCartney: "babies". Não é por isso fácil escolher, destacar, ou sequer apreciá-los à luz de conceitos musicais do séc. XXI. Tenho o raro privilégio de ser contemporâneo da obra do quarteto de Liverpool, o que me confere a espantosa alegria de poder exprimir sentimentos em primeira mão, baseados mais na emoção do que na análise fria e crítica dos discos.

Por isso estou hoje à vontade para dizer que há 40 anos "Abbey Road" foi para mim uma lufada de ar fresco, a esperança de que os Beatles não estavam ainda terminados. "The Beatles" tinha sido uma manta de retalhos, um conjunto de canções desgarradas, sem fio condutor, sem a genialidade aglutinadora da banda. "Abbey Road" tudo parecia consertar. Mas infelizmente só parecia...



Celso Rommel
Músico e Radialista
Ipiaú/BA

Abbey Road pra mim surgiu como uma coletânea de clássicos contendo uma mágica fortíssima. Aquela fotografia enigmática me fazia passar preciosos minutos buscando significados secretos na imagem dos quatro caras atravessando a rua. Outras vezes só olhando e pensando sobre o que se passava na cabeça deles naquela época. Durante um tempo cheguei a fazer uma brincadeira com o disco, imaginando que ele tivesse condição de irradiar algum tipo de energia milagrosa e por isso colocava a capa do LP na cabeceira da minha cama, tal como os católicos fazem com as imagens de santos. Ainda fazendo uma analogia com religião, Abbey Road é o milagre da inspiração triunfando sobre a tecnologia e a virtuose, além de um milhão de outras coisas mais.



Cláudio Teran
Radialista
Fortaleza/CE

Eu tinha apenas dez anos em 1973, quando cheguei ao Colégio Salesiano Auxiliadora de Bagé (RS) para fazer meu ginasial. No sistema de som da escola os padres tocavam Beatles, Stones, Dylan, Simon & Garfunkel isso para ficarmos somente no cancioneiro internacional. Então foi lá que eu me familiarizei com as músicas mais conhecidas do LP Abbey Road. Mas não tinha o disco nem o conhecida. Dois anos depois minha falecida Tia Eloína me presenteou com um álbum capenga, a coletânea 1967/1970, só com o 'disco dois'. Ela ganhara o item (usado) de alguém, e a pessoa informou que o 'disco um' sumira. Foi dessa maneira que ouvi em casa pela primeira vez canções que já conhecia do sistema de som do colégio dos padres: Something, Come Together, Here Comes the Sun e Octopus's Garden. Lembro que Come Together foi um êxito de execução em rádio no Rio Grande do Sul e aquela introdução era bem familiar.

O LP Abbey Road cairia em minhas mãos um pouco mais tarde, em 1976, quando pela primeira vez eu vi o disco com os quatro cabeludos atravessando a zebra. Fiquei encantado com aquele visual, era uma coisa realmente nova, diferente. Chamava minha atenção não somente o colorido da fotografia e a presença dos Beatles, mas o fato de não haver nenhuma inscrição na capa, nem mesmo menção ao título ou o nome da banda. Essa era a famosa edição mono 'capa sanduíche' do final dos anos 60, e pertencia ao pai de um colega de escola. No ano seguinte eu comecei a escutar Abbey Road pra valer através do meu amigo Paulo César Vignolle de Souza, que foi o primeiro sujeito que conheci a possuir toda a coleção dos Beatles e as respectivas coletâneas.

A gente jogava muito futebol de botão, enquanto colocava os Beatles para tocar. Lembro-me daquela magia de ouvir integralmente e em silêncio o medley do lado 2, que aprendi a gostar e reconhecer como algo sensacional desde a minha adolescência. Em 1981, finalmente, eu comprei meu primeiro Abbey Road. Ele veio numa caixa com todos os LPs dos Fab Four adquiridos na extinta loja JH Santos, do Rio Grande do Sul. O Paulo César era então subgerente da filial de Bagé e facilitou a compra. Eram 26 LPs (a coleção oficial e todas as coletâneas como: Ballads, Love Songs, Hollywood Bowl, etc). Paguei em suaves prestações (11 vezes) e ainda guardo o carnê e meu LP. Essa coleção adquirida com sacrifício no começo da minha vida profissional ainda me acompanha. Por anos foi como um tesouro. Quando mudei de Estado, deixando o Rio Grande pelo Ceará, embalei cuidadosamente LP por LP e eles aqui chegaram intactos.

O hábito de ouvir em silêncio o Abbey Road, sentado bem ao centro do sofá para 'captar' o estéreo nas caixas laterais ainda hoje é um prazer que certamente será resgatado pelo lançamento da coleção remasterizada. Eu também gostava muito de escutar o álbum com fones de ouvido porque nessa condição era possível ouvir muitas coisas curiosas, como o som de um grilo na mixagem de Sun King, ou a 'entrada' das guitarras uma de cada lado no estéreo. Fico me perguntando quantos garotos da minha idade aumentavam o som para ouvir o 'drum solo' de Ringo Starr 'rachando' minhas velhas caixas Gradiente master 78, parceiras de um amp Polyvox e de um toca-discos Garrard. As caixas, aposentadas em 2006, estão na ativa desde 1982 (quando as comprei na casa Grazziotin, no Rio Grande). Hoje prestam serviços diários no quarto do meu filho de 18 anos, reproduzindo com fidelidade o pop/rock da Madonna e da Amy Whinehouse tão apreciados por ele.

Outros fatos marcantes de Abbey Road em minha vida, e na de muitos certamente, ultrapassava os sulcos. Como Her Majesty não constava do setlist da contracapa, a gurizada debatia e discordava muito no colégio. A maioria achava que Her Majesty era na realidade, The End, a última faixa do LP. Eu lera um artigo esclarecedor sobre o assunto na extinta revista Pop, quando o lendário radialista Big Boy explicava o equívoco. Para justificar o corte abrupto em I Want You, a gurizada achava que "era porque a faixa - grande demais - não cabia num LP".

Quanto aos meus velhos bolachões, de vez em quando eu os escuto à moda antiga, num toca discos SL 1.300 MK2 (o melhor). Apago as luzes da sala, ponho o Abbey Road alto para ouvir e fico em silêncio como fazia quando garoto, esperando o corte abrupto de I Want You para 'virar' o disco. Nessas horas o tempo pára, como se o controle de todas as coisas durante aqueles 47min26seg de duração do LP me pertencesse. Um tempo só meu.



Altair dos Santos
Músico
Campo Grande/MS

Abbey Road... foi o primeiro disco dos Beatles 'só meu' que adquiri. Era um pré-adolescente, não sei ao certo quanto anos tinha, era novo demais para entender o conceito do disco e até mesmo as canções, mas insconcientemente escolhi a trilha sonora da minha vida. Digo isto pois este disco acabou acompanhando (e ainda acompanha) em todas as fases de minha vida.

Abbey Road simboliza numa semiótica muito particular 'um divisor de águas' ou 'o caminho certo a seguir'. Em diversas situações de incertezas e rumos a seguir na minha vida 'normal', Abbey Road sempre acabava aparecendo em forma ou em som sinalizando como "instinto animal" o caminho certo. Ironicamente, é exatamente isto que significa o disco - o caminho certo a seguir, mesmo que seja só para atravessar a rua.



Igor Fediczko
Guitarrista da Fabulosa Banda do Curinga
São Paulo/SP

Conheci o Abbey Road tarde. Mas nunca é tarde para conhecer os Beatles. Estava começando a aprender violão e "baixar" músicas ainda não existia. Tudo que eu podia fazer era ouvir o programa especial de Beatles que passava aos sábados, as 10h. Acordava todos os sábados, preparava meu gravador e gravava (no computador) música por música dos Beatles.

Conhecia muito pouco. Até que ganhei de um tio meu o Abbey Road. Em primeiro lugar, a qualidade era melhor. Em segundo, "I Want You", "Octopuss Garden", "The End" eu ainda não tinha. Chorava demasiadamente. Meu sonho, como guitarrista iniciante que era, seria executar os solos de The End. Hoje passou quase tudo, mas o choro ainda não. Something ainda me faz chorar.






Beto Iannicelli
Músico
São Paulo/SP

Todos os beatlemaníacos que, assim como eu, acompanharam os Fabs desde seu início, sempre foram unânimes em uma constatação: cada novo disco dos Beatles superava absurdamente a mais otimista das expectativas.

Quando se imaginava que finalmente eles tinham atingido seu ápice criativo com um "Rubber Soul", por exemplo, eles despejavam um "Revolver" e nos deixava a todos sem fôlego. Essa característica prevaleceu e permaneceu a mesma desde sempre.

O impacto da minha primeira audição do Abbey Road foi tão contundente que naquele momento, acredito, estabeleci minha primeira convicção, inabalável e definitiva: "Se o que estou ouvindo é real, qualquer sonho pode se tornar possível!"

GOD BLESS ABBEY ROAD!
GOD BLESS THE BEATLES!
OM SHANTI
Beto Iannicelli



Paulo Back
Músico e Quadrinista
Florianópolis/SC

Quisera eu ter vivido a década de 60 para ter sido surpreendido por este fabuloso disco. Abbey Road é o que é! O pico e o fim. Nunca os Beatles tocaram tão bem. Nunca John, Paul e George estiveram no mesmo patamar como nesse disco. Nunca harmonizações foram tão bem feitas. Nunca uma banda se despediu de uma forma tão espetacular como em Abbey Road.

Abbey Road é o meu disco preferido dos Beatles. tiro o mérito de Sgt Peppers e passo a medalha para ele. Tão simples e tão genial. Das músicas até a capa - simples - e icônica! gostaria de ter uma câmera mágica para registrar o que teria sido aquelas gravações.

Temos John meio ausente, mais Ono do que Lennon, Paul dando a última gota do seu suor e George explodindo como compositor. Ringo está lá, como sempre esteve, naquele solo de bateria para finalmente as 3 guitarras darem o seu adeus. Se a Vida dos Beatles fosse resumida em uma semana, Abbey Road teria sido o sábado à noite. Domingo de manhã ainda teríamos a ressaca do Let it Be... mas Abbey Road é que teria sido aquela festa de deixar saudades!



André Katz
Músico
Belo Horizonte/MG

Eu conheci esse disco inicialmente por um especial da TV Manchete, então um amigo me emprestou uma fita com todo o álbum, mas eu só ia caçar as músicas que eu conhecia do especial. Com o tempo, peguei pra escutar o álbum todo e não entendi como apenas 4 pessoas poderiam fazer algo tão magnifico assim.

No dia que comprei meu primeiro Abbey Road, notei que veio faltando a última faixa, e fui caçando até achar um disco que tivesse. Acabei hoje tendo essa raridade brasileira e uma obra clássica! Este disco disco acabou se tornando o portfólio para John, Paul, George e Ringo para a década seguinte. Isso sim, que se chama um belo "canto do cisne"!



Adailton Lacerda
Jornalista
São Paulo/SP

Em meio a um período de turbulência sem volta, os Beatles conseguiram produzir um de seus melhores trabalhos. Para muitos, o melhor. A verdade é que mesmo com todo o desgaste do relacionamento, quando John, Paul, George e Ringo se reuniam em estúdio, ainda eram os Beatles. E, felizmente, em plena ascensão para o seu último registro.

O individualismo de Lennon e McCartney é pouco notável quando percebemos que ambos se empenharam ao máximo para realizar um trabalho em grupo. Enquanto isso, mal perceberam que Harrison havia composto as duas canções mais sólidas do novo repertório. E Ringo deixa o convencionalismo definitivamente para trás com batidas surpreendentes.

“Abbey Road” soa como uma síntese dos mais diversos conceitos utilizados nos discos anteriores. E, ainda assim, apresenta um resultado diferente que alcança mais alguns degraus na escalada da genialidade onde os Beatles se isolam no ponto mais alto até hoje.



Adriano Mussolin
Editor
Poços de Caldas/MG

Abbey Road é o epílogo perfeito da história dos Beatles. Um disco que mostra toda a maturidade musical e instrumental do grupo. Parece que houve um período de 10 anos de treinamento para se montar um disco tão completo. Eles estão no auge, tanto criativo como no plano prático. Ringo executa um trabalho primoroso, vide “Come Together”. George define o estilo que viria a ser único em sua carreira solo, em Something. Paul faz um trabalho com as linhas de baixo que é de deixar de queixo caído. E John parece libertar-se das amarras que o prendiam e solta a voz, canta como nunca e nos premia com composições inesquecíveis.

E a capa??? É hipnótica. Ainda hoje posso passar horas viajando nela. É uma das mais copiadas até hoje. Será que existe alguma outra faixa de cruzamento que tem transmissão ao vivo pela internet, sem ser por motivos de segurança?

E o que dizer do Lado B. Os mais jovens não sabem a importância que um Lado B de um LP tinha. É o melhor lado B da história do vinil. Emblemático, fascinante, surpreendente do começo ao fim. Depois do final abrupto de “I Want You”, começa com a suavidade de “Here Comes the Sun” e chega àquela Jam sem precedentes, arrasadora, musical até a medula... antes de findar com uma vinheta sublime “Her Majesty”. Passando pelas melodias emendadas, cheias de efeito... quantas vezes pensei estar ouvindo um grilo de verdade em meus ouvidos???? E o trabalho vocal de Because??? Simplesmente perfeito!



Guilherme Lentz
Professor
Belo Horizonte/MG

Fui muito sortudo com os Beatles. Apesar de ter nascido em 75, quando já eram lenda, de alguma forma fiquei protegido de muito conhecimento prévio sobre eles. Quando descobri a música deles, casualmente, em 89, não sabia nada de yeah, yeah, yeah, psicodelia ou disputas internas. Simplesmente fiquei fascinado pela música. Na época, a discografia era recém-lançada em CD, e achávamos os LPs aos montes em lojas de departamento. Durante a semana, eu economizava o dinheiro da merenda ou algo assim, e depois ia ao shopping escolher mais um disco, de forma totalmente aleatória, já que eu não sabia nada sobre nenhum deles. Foi assim que o Abbey Road parou nas minhas mãos pela primeira vez.

Desde o começo foi um dos meus discos preferidos. Ele tem uma combinação de sofisticação e apelo comercial a que ninguém pode resistir. Todos os Beatles estão em sua melhor forma no Abbey Road, como instrumentistas e como compositores. A produção é magnífica. Tive muita história pessoal com várias das canções. Tentei milhares de vezes, por exemplo, tocar “Oh! Darling”, inclusive com um baterista que não sabia o ritmo, o que teria sido engraçado, se não fosse o constrangimento. Depois ela acabou voltando ao meu repertório, muitos tons mais baixa e em versão acústica. “Here comes the sun”, uma de minhas canções preferidas, foi o que toquei em primeiro lugar para meus filhos. O medley final eu testemunhei no Maracanã, em 90. Enfim, há muitas histórias que, com o passar dos anos, somaram-se ao prazer já infinito proporcionado pelas canções em si.

Eu nunca soube que o disco foi feito em meio à fragmentação do grupo e a muitas tensões que eles atravessavam no momento. É realmente um tributo a tudo o que criaram juntos e um enorme testemunho de seu talento que tenham extraído tamanha obra-prima de tempos tão difíceis. Sou muito agradecido por a vida ter me posto em posição de admirar essa obra.



Talma Lennon Xavier
Advogada
Recife/PE

Sempre fui uma colecionadora compulsiva dos Beatles e tinha que vir a mim o 'Abbey Road'. Quando eu o vi pela primeira vez... poxa foi paixão instantânea! Músicas lindas, diferentes, de uma criatividade insuperável até hoje. Fiquei (e continuo) extasiada! Entra logo com o poder imaginativo de John, 'Come Together' tem som perfeito e inovador... 'Oh Daling' é uma obra prima, 'Maxwell', 'Sun King' é bem diferente e não falta o romantismo, como 'Because'. George manda ver, com 'Here Comes the Sun' e 'Something' são clássicos eternos. 'Mean Mr. Mustard', emendando todas aquelas músicas poderosas, formado sons incríveis... O que falar sobre este disco? Eles sempre foram os melhores e o Abbey Road só veio a mais uma vez ratificar a imensa capacidade dos Beatles.



Rafael Weiss
Jornalista
Balneário Camboriú /SC

Sou beatlemaníaco desde meus 9 anos, mas durante muito tempo eu tive acesso apenas a uns cassetes com gravações dos Beatles. Dois deles eram coletâneas compradas no Paraguai, "Beatles 20 Êxitos de Ouro". Nesses k7s haviam apenas duas músicas do Abbey Road, Something e Come Together. Só fui conhecer o álbum inteiro com uns 12 anos, quando fui na casa de um amigo que o pai tinha coleção de discos dos Beatles. Passei uma tarde ouvindo vários que eu não conhecia, o último deles foi o Abbey Road. Como não podia levar para casa, peguei k7s virgens e fiz cópias dos álbuns. Aí minha loucura pelos fab aumentou cada vez mais. Hoje tenho dois discos. Ambos são daquela leva de discos lançados em 1988, quando a EMI fez uma edição nova em Vinil e CD. Comprei ambos num sebo em Itajaí. Tenho eles até hoje e o CD que seguro na foto, é meu de estimação. Não sai de casa para nada.

Como fã dos Beatles, não escondo minha preferência pelo Revolver como álbum, mas o Abbey Road tá na segundona, na frente do Sgt. Peppers na minha preferência. Eu o acho um disco incrível, pois mesmo depois de tanta confusão que rolou nas gravações do projeto Get Back (o Let it Be), não dá para acreditar que John, Paul, George e Ringo ainda tinham gás para gravar um álbum tão completo e tão primoroso como o Abbey Road na finaleira da carreira. A minha canção preferida é a sequência de You Never Give Me Your Money até The End. A melhor colagem de músicas que já ouvi. Claro que não dá para negar que Because é a música mais linda que já gravaram, mas a genialidade posta neste álbum, nos reflete que nos dias atuais, não há preocupação em conceituar um álbum. A capa, enigmática, nos faz pensar naquelas teorias doidas que Paul estaria morto.

Como músico o álbum me influência pela busca de uma perfeição nas canções que só Abbey Road nos deu. Perfeição, simplicidade, melodia e destino. Não é todo disco que tu escuta há quase 20 anos consecutivos pelo menos uma ou duas, três vezes num mês. A gravação de Abbey Road mostra claramente que instrumento está sendo tocado. Acredito que esta obra se perpetuará ainda mais na mente das pessoas. A cada dia eu conheço gente mais nova do que eu, que tem a mesma sensação de euforia e transe que eu tive quando ouvi Abbey Road pela primeira vez. Esta obra prima da música pop merece a cada dia mais respeito, mais credibilidade e também mais difusão para seu amplo conhecimento de novos músicos. Viva os Beatles, viva o Abbey Road.



Maria Cristina Kanda
Desdentista
Londrina/PR

Abbey Road sempre foi minha capa predileta dos Beatles. Meu primeiro contato com ele foi através de uma fita cassete, gravada pelo meu amigo Mané, na época em que a gente competia pra ver quem tinha mais coisas e quem sabia mais sobre os Beatles. Demorei pra metabolizar esse disco. Com 14 anos, eu preferia as canções melosas do Rubber Soul. Aos poucos, aprendi a apreciar o Abbey Road e ainda hoje, estou aprendendo. Não é o meu favorito dos Beatles, mas com certeza, eu o acho o mais charmoso.



Alexandre Amorim
Músico
São Paulo/SP

Não conheci os Beatles de modo cronológico, o que significa que não acompanhei sua dita "evolução musical", partindo do Please Please Me e chegando ao Abbey Road. Era o final dos anos 70, os discos já estavam todos lançados e eu ia comprando conforme a oportunidade, sem saber as datas de lançamento ou mesmo se eram discos de carreira ou não. Lembro que, numa visita à loja de discos, tirei o LP Hey Jude da baia dos Beatles, porque eu só conhecia os quatro com aquelas carinhas de cabeludos bem comportados - aqueles barbudos com caras de poucos amigos, eu só aprendi mais tarde, também eram meus ídolos. Ao ouvir Abbey Road pela primeira vez, compreendi que os Beatles tinham mais alguma coisa para me dizer. Eu já havia sido iniciado na beatlemania, mas com aquele disco, eu aprenderia sobre um momento mais complexo: a maturidade gerada pela perda. Ouvir o medley que chega magistralmente a "The End" é uma mistura de prazer e dor poucas vezes alcançada na arte. Ao mesmo tempo, sentir a beleza das canções e a tristeza de que aqueles jovens senhores haviam se cansado de tudo que haviam vivido em tão pouco tempo.

O disco já impressiona pela capa, de uma simplicidade genial. Pensar que as idéias mirabolantes de uma capa aos pés do Everest acabaram dando naquela foto pertinho do estúdio, feita em menos de meia hora, me leva a crer que o sublime está sempre ao nosso lado, é só ter olhos para enxergar. A capa do disco, com os quatro olhando e andando para frente, denunciava o fim da cumplicidade e o início de uma individualidade que vinha se consolidando a ferro e fogo.

Nesse disco, confirmei várias suspeitas antigas: a de que Harrison era mesmo um gênio - que outro adjetivo pode ser dado ao autor de Something?; a de que Paul nasceu para ser músico (o baixo de Something, o vocal de Oh! Darling e de Golden Slumbers, a letra e a música de You Never Give Me Your Money...); a de que Lennon será sempre o subversivo de gestos inusitados, como a letra de abertura do álbum e seu exorcismo em I Want You. Apesar de indivíduos que tomavam caminhos diferentes, os Beatles ainda sabiam como poucos trabalhar em grupo, e provaram que a música era sua principal fonte de inspiração e união. Abbey Road é um sinal de maturidade e nós, fãs, teremos sempre que lamentar que a maturidade seja sinônimo de mudança. Resta, como sempre, agradecer o amor que eles nos deram.



José Carlos Almeida
Webdesigner
Itabuna/BA

Meu conhecimento com os Beatles foi ao contrário: o Abbey Road foi o primeiro disco deles totalmente meu. Isso aconteceu nos anos 80, quando eu só conhecia os Beatles de ouvir falar e através da coletânea "20 Greatest Hits". Durante aquele ano escolar, me lembro de tê-lo ouvido todos os dias pelo menos uma vez, logo no comecinho do dia. Isso fazia com que os dias fossem mais coloridos e as temporadas na sala de aula, menos tediosas, pois mesmo depois de "Her Majesty" ele continuava tocando na minha cabeça.

Hoje, comemorando 40 anos do disco, é como se eu tivesse também comemorando o aniversário dos meus braços ou das minhas pernas. Porque, mesmo tentando, não consigo me lembrar duma época em que eu não gostasse do "disco da faixa de pedestres". Aliás, depois dele, nunca mais atravessei uma faixa de pedestres sem me sentir um legítimo beatle.